Chuva abaixo da média há três meses deixa cidades em alerta no Oeste

Há três meses, Santa Catarina registra um volume de chuva abaixo do esperado para esse período. E alguns municípios da região Oeste já estão há 25 dias sem ocorrência de chuva.

A situação é considerada uma anomalia pela Defesa Civil. Conforme dados coletados nas estações pluviométricas de SC mostram que a incidência de chuva é muito abaixo da média esperada para os meses do inverno.

Conforme a Epagri, no mês de junho a climatologia de chuva varia entre 130 a 170mm do Extremo Oeste e de 110 a 150 no Meio Oeste de SC. No sexto mês do ano, no entanto, a chuva registrada na região ficou em torno de 10mm, conforme os dados coletados nas Estações Pluviométricas Automáticas do Cemaden.

Em Julho o cenário não foi diferente. Se o histórico climatológico previa chuva entre 110 a 150mm em todo grande Oeste, o que se registrou foi muito inferior a isso, com cerca de 20 a 25mm de chuva no mês.

Em agosto, o mapa do histórico de chuva previsto para o período não tem nada a ver com o cenário atual. A climatologia de chuva previa precipitação variando entre 110 a 150mm, mas até agora as estações pluviométricas do Cemaden registraram um volume que varia entre 10 e 17mm de chuva na região. O marrom é a cor predominante no mapa de anomalia climática da Defesa Civil, pintando o estado de leste a oeste.

O coordenador regional da Defesa Civil da região de Xanxerê, Luciano Peri, exemplifica que as cidades de Xanxerê e Galvão não registram chuva desde o dia 2 de agosto. Na estação do Cemaden de Xanxerê, neste dia o acumulado de chuva foi de 5,6mm. E o acumulado de chuva nos últimos 35 dias na cidade foi de 11mm. Em Galvão o cenário não foi diferente: foram 6mm de chuva no dia 2 de agosto e o acumulado de chuva em 35 dias foi de 16mm.

Já em Ponte Serrada, a última chuva ocorreu em 12 de agosto, quando o acumulado não chegou a 1mm (0,6mm). E o acumulado em 35 dias foi de 15mm.

Preocupação no campo

O cenário de falta causa preocupação em toda região, principalmente no que diz respeito ao abastecimento de água no campo e na cidade.

De acordo com o gerente de agricultura da cidade de Arvoredo, Diego Picolli, a Prefeitura da cidade está ajudando moradores de pelo menos 15 propriedades do interior com abastecimento de água, principalmente para consumo animal, mas em alguns casos também para consumo humano. “Da metade do mês de agosto para cá começamos a receber pedidos, e nesta semana a demanda aumentou bastante”, aponta.

A equipe atende com um caminhão e um trator com tanque para distribuição de água, trabalhando em período integral para atender a demanda. E se não chover nos próximos dias, a expectativa do gerente é que seja necessário mais um caminhão para conseguir atender quem precisa.

E o impacto não é só no consumo da água. “A falta de chuva no período, atrasou o plantio do milho e pode antecipar o ciclo das pastagens de inverno. Com isso, a pastagem de inverno acaba mais cedo e pode comprometer a alimentação dos animais no restante do ano, especialmente porque atrasou o plantio do milho para a silagem”, pontua Picolli.

 Situação em Chapecó

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente de Chapecó, Valdir Crestani, na cidade ainda não foram registrados pedidos por abastecimento de água no interior.

Segundo ele, a perfuração de poços artesianos, poços profundos e fontes superficiais em comunidades onde tradicionalmente era registrado o problema, ajudou a diminuir a necessidade de suporte de caminhões-pipa da Prefeitura. Nos próximos dias, outros quatro poços devem ser perfurados, na região do Marechal Bormann, Linha Gamelão, Palmital dos Fundos e Baronesa da Limeira. “Mas vale o alerta para o consumo consciente de água”, pontua.

Reservatório da Casan

A estiagem provocou uma baixa no Lajeado São José, que abastece a cidade de Chapecó, informou o superintendente da Casan, Daniel Scharf, ao Diário do Iguaçu.

Segundo ele, não é registrada chuva significativa desde julho e houve uma redução gradativa no reservatório. “Hoje o volume de água já não passa pelo vertedouro. Ainda não afetou o abastecimento, mas estamos atentos em função da redução. Caso a situação perdure nas próximas semanas, poderemos ter problema’, pontou. (Informações Diário do Iguaçu)

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