Cidasc registra caso de raiva bovina em propriedade de Campos Novos

O Escritório Regional da Cidasc de Campos Novos confirma o registro de um caso de raiva bovina em rebanho de uma propriedade rural do município.

O animal, um terneiro de quatro meses, morreu e após a autopsia a Cidasc confirmou que a causa da morte foi raiva bovina.

O terneiro morreu há cerca de 20 dias. O cérebro do animal, onde o vírus se instala, foi encaminhado para o laboratório de diagnóstico animal da Cidasc em Joinville para exames e, nesta semana foi identificada a raiva bovina como causa da morte.

Com a confirmação, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina oficializou a ocorrência de raiva bovina em entrevista prestada à reportagem da Rádio Cultura, como forma de alertar os produtores para a necessidade da vacinação contra a raiva. A vacina leva 20 dias em média para agir na prevenção.

Medidas

A chefia do Escritório Regional da Cidasc informa que logo após a confirmação do caso, uma das primeiras medidas foi informar a Secretaria de Agricultura do município e o Sindicato dos Produtores Rurais, na quarta-feira (28).

Na próxima semana, dia 5, a Cidasc realiza uma reunião com a prefeitura, Secretaria da Agricultura e Sindicato dos Produtores Rurais, entre outros órgãos, para planejar as ações de execução de controle e vacinação do rebanho dos oito municípios, que pertencem à 8ª Agência de Desenvolvimento Regional (ADR). A reunião será na prefeitura pela manhã.

Segundo o médico veterinário da Cidasc/SC e responsável pelo Programa de Controle da Raiva dos Herbívoros, Fábio de Carvalho Ferreira “o caso de raiva que está tendo em Campos Novos, a princípio é um caso isolado, é um bovino que desenvolveu a raiva. Em relação às ações que serão necessárias, estão sendo tomadas pela Cidasc. O início das ações é o levantamento de dados para estabelecer o universo que nós vamos trabalhar em pronto atendimento. Ele não é pequeno. Vai dar em torno de 600 propriedades em volta do foco. Vai ter que ser feito um levantamento, se existe outros animais com sintomas, se outros animais já faleceram com sintomas e não houve notificação do produtor”, esclarece.

Vacinação

De acordo com Fábio de Carvalho Ferreira “a legislação que rege o programa de controle da raiva diz que os animais em torno do foco devem ser vacinados pelos produtores. É dever do produtor vacinar seus animais em cumprimento da lei”, avisa.

O responsável pelo Programa de Controle da Raiva dos Herbívoros observa ainda que a raiva bovina não é incomum em Santa Catarina, especialmente no litoral, mas na região de Campos Novos, há vários anos os casos não eram registrados.

“Essa região ai tem períodos maiores onde não tem casos de raiva. Então por isso o produtor acaba relaxando no sentido de manter os animais vacinados, porque a doença não se apresenta por vários anos, Campos Novos deve ter ficado 30 anos. Com essa tranquilidade, o produtor deixa de vacinar e de fazer o que é necessário, pois tem o morcego, tem o vírus”, alerta Flávio.

A vacinação é a forma mais eficaz de profilaxia da raiva bovina. Não é obrigatória em regiões não endêmicas, ou seja, com baixa prevalência de surtos da doença, mas é aconselhável que todo pecuarista vacine seus animais, evitando surpresas nada agradáveis, pois animais infectados não têm tratamento.

Os animais devem ser revacinados anualmente, mesmo em regiões sem focos da raiva, garantindo maior segurança e prevenção da raiva.

A raiva bovina

Os transmissores da raiva bovina são os morcegos hematófagos que são portadores, reservatórios e transmissores do vírus da raiva, por meio da saliva do morcego infectado que, pela mordedura ou lambida em alguma ferida aparente do animal, transmite a raiva.

Há também espécies de morcegos insetívoras, frutívoras e polinívoras, que não transmitem a doença.

Cuidados humanos – Mortalidade é de 100 por cento

Fábio de Carvalho Ferreira ressalta que “a transmissão da raiva é via saliva do vetor. É transmissível para qualquer mamífero. Então não é exclusiva do bovino, do equino. Até o ser humano pode ser infectado. Mas é preciso que ocorra a mordedura e que o animal que morda esteja contaminado, ai vai ocorrer a transmissão, inclusive pela saliva”, explica.

Ele alerta o produtor para que não tenha contato direto e sem proteção com animais doentes.

“A nossa tendência é tratar o animal. Ai vou mexer na boca do animal, vou botar a mão, se eu tiver cortes, vou entrar em contato com a saliva do animal, que pode estar com raiva e ai eu tenho a possibilidade de ficar doente. A raiva é uma doença que mata. Se considera a raiva com uma taxa de mortalidade de 100 por cento. Não tem tratamento”, enfatiza.

Ressalta ainda que “quando o animal está infectado deve-se ter cuidado com a coleta de material que deve ser feita pelo profissional. A carcaça não pode ser aproveitada. O animal infectado deve ser isolado até a morte. Não sacrificar porque o exame pode não detectar a raiva se houver o sacrifício antes da mote. É importante que seja feito desta forma. O bovino fica paralisado e não há a parte da agressividade, como no caso dos caninos”, observa. (Rádio Cultura)

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