Especialista acredita que ataque a surfista em praia de SC tenha sido por tubarão

Foto: Divulgação

Navegantes – Um surfista foi socorrido após ser mordido no pé por um animal marinho enquanto surfava na praia de Navegantes na manhã deste domingo, 24. O incidente ocorreu próximo ao posto 3, no Centro. Segundo o Corpo de Bombeiros não é possível afirmar qual espécie foi a responsável pelo ataque.

Os bombeiros foram acionados por volta das 8 horas e ao chegar no local encontraram a vítima sendo atendida pelos guarda vidas. Eles estancaram o sangue e fizeram curativo. O homem foi encaminhado ao hospital estável e consciente.

De acordo com a tenente Fernanda Reck, espécies como cação, tubarão-anjo e tubarão-mangona são comuns no litoral catarinense, porém, não é possível nesse caso dizer qual animal atacou o surfista. A tenente reforça que esse tipo de ocorrência não é comum na cidade.

Após a divulgação de um ataque de animal marinho a um surfista em Navegantes, o professor Jules Soto, Curador do Museu Oceanográfico da Univali, publicou uma nota informando que a mordida pode ter sido feita por um tubarão.

Segundo ele, um dos cortes é típico de um animal com dentes alongados cônicos, e não triangulares e chatos como na maioria dos tubarões. Mas a mordida no estilo “bote” é característico do animal e semelhante a um ataque registrado no estado, quando um banhista foi mordido na cabeça por um tubarão.

Para o especialista, a mordida reúne todas as características do tubarão mangona. Ele costuma se alimentar de peixes de pequeno e médio porte, e captura eles com um bote rápido. A espécie costumava ser muito comum em Santa Catarina, mas foi praticamente dizimada.

Com o risco, a 1ª Tenente dos Bombeiros Militares Fernanda Corrêa Reck divulgou um vídeo com dicas de como evitar incidentes com tubarões. Ela reforça que houve pouquíssimos casos no estado, mas que é possível diminuir o número.

Todas orientações estão atreladas a evitar que o animal confunda o ser humano com o alimento. A primeira é evitar nadar em regiões de pesca. Os surfistas devem estar especialmente atentos, por ficarem sentados na prancha.

Outra dica é evitar nadar no mar após tempestades, pois a água turva pode influenciar na caça do tubarão. “No entanto, caso haja algum ferimento, saia da água e procure atendimento imediatamente no posto guarda vida para que seja feito o atendimento e o encaminhamento ao hospital”, concluiu.

Confira a nota da Univali na íntegra:

No dia de hoje, 24 de janeiro de 2021, recebemos uma séria de contatos da imprensa a respeito de um “ataque” de animal marinho a um surfista na praia de Navegantes. Pois bem, analisando a foto divulgada se observa claramente pequenas lesões perfuro-cortantes e corto-contundentes na lateral externa do pé esquerdo do lesionado.

Observa-se também que houve lesões tanto na porção superior quanto inferior do pé, o que caracteriza uma mordida. A lesão na porção inferior se estendeu, o que ocasionou um corte mais longo e mais profundo que os demais. O corte paralelo, associado aos pequenos furos na porção superior são típicos de dentes alongados cônicos e não triangulares e chatos como na maioria dos tubarões. O tipo de mordida no estilo “bote” também é característico deste tipo de lesão, corroborando com Moyer, Shannon e Irschick (2019) e muito semelhante ao já registrado em Santa Catarina, quando um banhista foi mordido na cabeça.

Desta forma a única foto que chegou até mim, reúne todas as características de uma “mordidela” desferida por um tubarão mangona (Carcharias taurus), ressaltando que este animal costuma se alimentar de peixes de pequeno e médio tamanho, preferencialmente entre 15 e 30cm, capturando-os com um rápido bote, desferido com grande rapidez e propiciado pela grande capacidade que esta espécie tem de projetar as maxilas.

Exemplares desta espécie podem ser observados no Oceanic Aquarium em Balneário Camboriú e eram bastante comuns em nossas praias no passado, quando nadavam há cerca de 1-2 metros de profundidade, principalmente à noite. Foram praticamente dizimados, havendo agora um resquício da população que tiveram até a década de 1970, não chegando atualmente a 2,8% de sua população original.

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