Investigação da Polícia Federal agrava mais a crise da BRF

Estado – No meio da maior crise de gestão da gigante BRF com os acionistas tomando a dianteira para destituir o conselho de administração e a diretoria, a Polícia Federal (PF) inicia a Operação Trapaça, que atinge o principal ativo da companhia, a credibilidade dos seus produtos. Executivos da BRF estariam pagando laboratórios e fiscais para burlar resultados de análises e ignorar problemas de salmonela em plantas de carne de frango, evitando assim a necessidade de cumprir com rigor as normas sanitárias mundiais de saúde animal. 

Essa é uma fraude gravíssima porque afeta a confiança nos produtos da empresa, tanto no mercado interno quanto externo e também a confiança dos produtos brasileiros. A situação junto ao mercado internacional é mais crítica porque as exportações podem ser suspensas e os importadores da empresa só voltarão a comprar depois de algum tempo, com a mudança nos procedimentos. 

As consequências são preocupantes para toda a cadeia produtiva. Se as vendas forem suspensas também no mercado interno, haverá falta de produto e os preços vão parar nas alturas. Se não forem suspensas, haverá aumento da oferta de carne e queda de preços ao consumidor que já vem comprando carne de frango barata. 

Fontes do setor que conhecem o histórico de qualidade da BRF acreditam que esse procedimento tenha sido mais uma decisão errada da última diretoria para fazer atalhos e vender mais. A Polícia Federal determinou a prisão dos responsáveis, mas o fato é que a situação da companhia ficou ainda mais difícil e a recuperação, especialmente do preço das ações, vai demorar mais. 

Vale lembrar que a BRF é a maior empresa de carnes do Brasil e a maior exportadora global de frango, presente em mais de 120 países. Os problemas precisam ser resolvidos dentro das normas e com rapidez porque é muito caro não ter a oferta de produtos da gigante catarinense.

Há empresas cuja importância estratégica para o mundo vai muito além da sua função como parte do capital de alguém que precisa dar retorno. A gestão de Abilio Diniz, com foco apenas em resultados financeiros, deu errado porque não cabe para uma empresa com o perfil da dona da Sadia e Perdigão. (Estela Benetti) 

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