Manifesto pede prorrogação de quarentena em SC por tempo indeterminado

Mais de 100 entidades, sindicatos, coletivos, núcleos e movimentos sociais que integram o Movimento Consciência SC assinam um manifesto contra a decisão do Governo de Santa Catarina de relaxar as medidas de quarentena e autorizar o funcionamento de comércio e serviços gradualmente, a partir da semana que vem. O texto foi divulgado neste sábado (28).

O manifesto pede a prorrogação das medidas de isolamento social por tempo indeterminado. Alerta para a fragilidade dos trabalhadores em meio à pandemia, e chama atenção para o risco de que o colapso dos serviços de saúde, diante de uma disseminação massiva do coronavírus, representem mais prejuízo econômico do que a continuidade da quarentena.

“O colapso do sistema de saúde e o pânico causado pela disseminação acelerada da doença levarão à paralisação da economia, porém num cenário ainda mais frágil do que este pelo qual passamos agora”, diz o texto.

Citando o exemplo da Itália, onde políticos que defenderam a retomada de atividades vieram a público, nos últimos dias, reconhecer que cometeram um erro, o manifesto fala do risco de reproduzir, em SC, política semelhante. “Tememos a repetição de experiências de políticas que, em nome do ganho imediato e das cifras econômicas, agora lamentam a partida de muitas vidas e de famílias devastadas pela enorme capacidade de expansão do vírus”.

Na sexta-feira, a comunidade científica já havia se manifestado. O texto afirmou que as medidas tomadas pelo Estado de Santa Catarina “não encontra respaldo nas evidências científicas disponíveis”, não tem justificativas epidemiológicas, e tem potencial para causar uma “explosão de infecções, hospitalizações e mortes”.

Veja o manifesto na íntegra

As medidas de suspensão das atividades, previamente adotadas em Santa Catarina, atendiam às necessidades de isolamento e distanciamento social em defesa da nossa sociedade.Embora há quem possa ter considerado a decisão prematura, as ações seguiram os protocolos internacionais e foram acolhidas pelos catarinenses, com participação ativa e de esforço coletivo para barrar a expansão da pandemia da Covid-19 em nosso território.

Além de ressaltar a importância das medidas pela atenção aos cidadãos, escrevemos com muita preocupação e angústia, representando inúmeras parcelas e grupos da sociedade catarinense. Temendo uma tragédia anunciada, tomamos a liberdade para escrevê-los. Face ao prognóstico de rápida expansão de casos do novo coronavírus, o Sars-Cov-2, e da doença Covid19 (e a grave possibilidade de descontrole da estrutura social e de saúde) nas próximas semanas, demonstramos profunda preocupação com a retomada gradativa e parcial de algumas das atividades no território catarinense a partir da próxima semana. Tememos a repetição de experiências de políticas que, em nome do ganho imediato e das cifras econômicas, agora lamentam a partida de muitas vidas e de famílias devastadas pela enorme capacidade de expansão do vírus. A Itália é o exemplo que mais nos salta aos olhos. Milão promoveu a campanha #MilãoNãoPara há um mês. Ontem, 27 de março de 2020, eram 5.402 pessoas mortas. Em toda a Itália o número ultrapassa 9.134 (conforme dados oficiais das autoridades sanitárias do país).

Em nome da preservação da saúde da comunidade catarinense frente à pandemia no Brasil (sem uma parceria e nem apoio do governo central do país), gostaríamos de solicitar a prorrogação por tempo indeterminado do decreto que orienta a quarentena, com avaliações diárias dos avanços da Covid-19 nas cidades catarinenses. Decisão mais acertada, num momento em que todas as famílias brasileiras (ou mesmo do mundo) se encontram reunidas em suas residências, preservando a saúde e a vida. Estamos temerosos de que o pico de infestação e circulação viral ocorra justamente quando se abrem possibilidades de retomada de atividades.

A suspensão de todos os serviços não essenciais continua sendo a principal medida para diminuir o contágio pelo coronavírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir de 11 de março de 2020, data em que atribuiu à Covid-19 o status de pandemia, estabeleceu como uma das principais medidas para frear a curva de contágio do coronavírus evitar a aglomeração de pessoas.

No Brasil, vários estados, inclusive Santa Catarina, suspenderam as atividades não só no setor de serviços e comércio mas também nas indústrias, os efeitos positivos dessa medida são incontestáveis. Ainda assim, já são mais de 3,4 mil infectados e 92 mortes provocadas pelo coronavírus no país, conforme dados do Ministério da Saúde de 27 de março de 2020. No mundo, já são quase 20 mil pessoas mortas e 500 mil infectadas, com base nos dados oficiais, sem contar as subnotificações.

O isolamento é a principal medida de contenção, medida mais eficaz para diminuir a velocidade de proliferação do Sars-CoV-2. É fundamental garantir proteção à saúde, aos direitos e à vida de trabalhadores, que são os mais expostos à contaminação, pois além de terem menos recursos de proteção e de dependerem dos transportes coletivos em setores como a indústria, trabalham em grande concentração, o que não é indicado num momento de crise sanitária mundial.

Em Santa Catarina, caso isso não ocorra, podemos entrar na lista mundial dos lugares com mais mortes e pessoas infectadas. O colapso do sistema de saúde e o pânico causado pela disseminação acelerada da doença levarão à paralisação da economia, porém num cenário ainda mais frágil do que este pelo qual passamos agora.

Entendendo que os senhores têm tomado as medidas mais sensatas frente à pandemia, e considerando o histórico recente e a baixíssima quantidade de testes (além da fragilidade do sistema de saúde), reforçamos o nosso pedido: que o Governo do Estado de Santa Catarina reveja o decreto de isolamento social, atendendo às orientações da OMS e das autoridades sanitárias, médicas e científicas, estaduais, nacionais e internacionais.

Diante disso, entendemos a necessidade de manter o estado de emergência e a quarentena até que a situação se normalize. Vemos a prorrogação da paralisação conjunta como única forma de continuar a frear o aumento no número de pessoas doentes e desacelerar a transmissão do novo coronavírus.

Santa Catarina, 28 de março de 2020.

Parte das universidade, entidades, sindicatos, coletivos, núcleos e movimentos sociais que assinam o manifesto (o documento ainda está recebendo assinaturas online)

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (SINTE)

Associação Catarinense de Preservação da Natureza (ACAPRENA)

Seção Sindical dos Docentes da UFFS – Sinduffs

Sindicato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores nas Empresas de Transporte Coletivo

Urbano Intermunicipal e Interestadual de Passageiros de Chapecó e Região

Articulação Catarinense por uma Educação do Campo (ACECAMPO)

Associação em Defesa dos Direitos Humanos com Enfoque na Sexualidade (ADEH)

Associação dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (APUFSC) Sindical

Sindicato de Assessoramento, pericia e informação de Santa Catarina (SINDASPISC)

Centro de Direitos Humanos do Alto Vale do Itajaí

Rede Catarina de Palhaças

Conselho Regional de Fonoaudiologia – 3ª Região (CreFono 3)

Associação Gente

Frente Joinville pela Democracia

Programa de Pós Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina

(PPGJOR/UFSC)

Núcleo de Pesquisas em Desenvolvimento Regional da Universidade Regional de Blumenau

(NPDR/FURB)

Fórum Catarinense de Economia Solidária (FCES)

Centro dos Direitos Humanos de Jaraguá do Sul (CDH/JS)

Sindicato dos Empregados nas Empresas Permissionárias do Transporte Coletivo de Blumenau,

Gaspar e Pomerode (Sindetranscol)

Sindicato Único dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Blumenau (Sintraseb)

Cooperativa de Trabalho, Educação, Inclusão e Autogestão (COOPERTEIA – Blumenau)

Sindicato dos trabalhadores do vestuário de Brusque e região

Sindicato dos Empregados e Estabelecimentos Serv. de Saúde de Joinville e Região

Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação de Jaraguá do Sul e Região

Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC)

Sindicato dos Trabalhadores dos Químicos, Plásticos, do Papel e da Borracha de Jaraguá do Sul e Região

Sindicato dos Trabalhadores Eletricitários do Vale do Itajaí (SINTEVI)

Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Jaraguá do Sul e Região

Sindicatos dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de Jaraguá do Sul e Região

Sindicato dos Comerciários de Blumenau

Núcleo de Estudos Afro Brasileiros da Furb

Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)

Federação dos Vigilantes de Santa Catarina (FEVASC)

Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina (FETIESC)

Sindicato dos Vigilantes de Blumenau (SINVAC)

Sindicato dos Têxteis de Blumenau, Gaspar e Indaial (SINTRAFITE)

Sindicato dos Bancários de Blumenau e Região (SEEB)

Sinte Regional Blumenau

Sindicato dos Empregados em Sindicatos de Blumenau (SEEB)

Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Indaial – SINSERPI

Rádio Comunitária Fortaleza Adenilson Teles de Blumenau (RCF)

Sindicato dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de Blumenau (SITICOM)

Sindicato dos trabalhadores nas indústrias de vidros, cristais, papel e papelão de Blumenau e

região (SINDICRIP)

Sindicato dos Servidores Públicos do Ensino Superior de Blunenau (SINSEPES)

Rádio Comunitária de São Miguel do Oeste

Sindicato dos Servidores Públicos Municipal de Rio do Sul e Região (Sinspurs)

MMM/Batucada Feminista de Blumenau

Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Refeições Coletivas de Santa Catarina (SINTERC)

Sindicato dos Empregados em Empresas Prestadoras de Serviço e Asseio e Conservação no

Município de Florianópolis (Sindlimp)

Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina

(SINDPD/SC)

Sindicato dos Vigilantes de Florianópolis

Sindicato dos Trabalhadores do Vestuário de Jaraguá do Sul e Região

Sindicato dos Empregados no Comércio de Jaraguá do Sul e Região

Sindicato dos Trabalhadores dos Servidores Públicos Municipais de Jaraguá do Sul e Região

Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte Regional Jaraguá do Sul)

Sindicato dos Comerciários de Tubarão e Região

Sindicato de Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Miguel do Oeste

Grupo de Pesquisa Ethos, Alteridade e Desenvolvimento do Programa de Pós Graduação em

Desenvolvimento Regional da Universidade de Blumenau (NPDR/FURB)

Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas de Rio do Sul e Região

Detalhe Teatro e Produções Artísticas

Coletivo LGBT de Blumenau Liberdade

Coletivo Maruim

Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santa Catarina (MST)

Movimento de Consciência Negra de Blumenau Cisne Negro

Movimento Mulheres do Litoral

Núcleo de Pesquisa Economia Solidária Trabalho e Desenvolvimento Regional da FURB

Núcleo de Estudos Indígenas da Universidade Regional de Blumenau (NEI/FURB)

Cooperativa Comunicacional Sul

Juventude Manifesta Santa Catarina

Juventude Socialista de Santa Catarina

União Nacional LGBT de Joinville

União da Juventude Socialista de Joinville

Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia

Portal Desacato.info

Portal Catarinas

Rádio Ponto UFSC

Grupo de Investigação em Rádio, Áudio e Fonografia (GIRAFA)

Associação de Pós-Graduandos da UFSC (APG-UFSC)

Instituto Memória e Direitos Humanos (IMDH-UFSC)

Sindicato dos Professores de Itajaí e Região (SINPRO)

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE)

Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica –

seção Litoral do Vale do Itajaí

Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Braz – Joinville

Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Florianópolis – Sinergia

Intersindical dos Eletricitários do Sul do Brasil – INTERSUL

Intersindical dos Eletricitários de Santa Catarina (Intercel)

Associação Brasileira de Psicologia Social – Regional SC

Pastoral da Juventude da Diocese de Blumenau

Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Plásticas e Químicas de Criciúma e Região

Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Joinville e Região

Sindicato dos Comerciários de Rio do Sul e Região

Sindicato dos Servidores Públicos de Rio do Sul

Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Rio do Sul e Região

Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Timbó e Região

(Informações NSC)

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