Pedro Parente é eleito presidente do conselho de administração da BRF

Numa assembleia geral ordinária e extraordinária que começou com atraso de seis horas e meia e se estendeu até as 21h25min, acionistas da BRF – dona da Sadia e Perdigão – elegeram nesta quinta-feira os 10 membros do conselho de administração por voto múltiplo. Depois, a chapa composta por Pedro Parente e Augusto Cruz foi eleita para os cargos de presidente e vice-presidente do conselho, respectivamente.

Na ordem, os conselheiros mais votados foram Augusto Cruz, Luiz Fernando Furlan, Flávia Oliveira, Francisco Petros, Walter Maleini, Roberto Rodrigues, José Luiz Osório, Roberto Mendes e Dan Ioschpe. Houve renovação de 60% do colegiado. Do grupo anterior, continuam Furlan, Petros, Malieni e Flávia.

Este novo grupo realiza a primeira reunião às 8h de hoje, em São Paulo, para tomar posse e começar a definir as prioridades da companhia, entre as quais escolher o novo presidente executivo e buscar estratégias para tentar derrubar o embargo da Europa à compra de carne de frango de 12 plantas da BRF no Brasil.

As assembleias estavam agendadas para começar às 11h, na sede social da empresa, em Itajaí. Mas, 10 minutos antes do início, o conselho da empresa foi surpreendido com decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), instituição responsável pela defesa do direito dos acionistas, cobrando a manutenção do voto múltiplo para a escolha do novo conselho da companhia. Como já tinha preparado a assembleia para eleição de chapa única, sem voto múltiplo porque o fundo Aberdeen, que havia solicitado esse tipo de votação, retirou o pedido quarta-feira, foi necessária uma série de adaptações de última hora para o voto um para definir os novos conselheiros. A CVM adotou essa posição porque parte dos acionistas estrangeiros já havia votado com antecedência pelo modelo de voto múltiplo.

A propósito, esse foi o terceiro caso de voto múltiplo no país e o mais confuso. Os votos à distância demoraram para serem apurados, por isso a assembleia extraordinária, que votou o novo conselho, se estendeu. Quase ninguém dos presentes havia participado de eleição assim. Pelo total de votos da companhia, cada conselheiro precisou mais de 530 mil votos para ser eleito. Os últimos não atingiram, mas no final prevaleceu a lista dos mais votados que confirmou a chapa sugerida para eleição tradicional.

Na assembleia ordinária, que começou às 17h35min, os acionistas aprovaram o valor a ser pago aos executivos da empresa e a destituição do conselho de administração anterior, presidido por Abilio Diniz.

Os nomes de Pedro Parente e Augusto Cruz também estavam na chapa de consenso, indicados para presidir o novo conselho. A votação confirmou a força da Petrobras no novo comando da companhia, tendo três representantes: Parente, Cruz e Petros. Nos bastidores, acionistas pouco falaram sobre quem liderou as articulações para compor a lista de consenso para o conselho. Diziam que a empresa perdeu muito e está na hora de iniciar uma fase de crescimento, por isso foi preciso superar algumas diferenças.

O resultado confirmou também a volta das famílias fundadoras da WEG no conselho, com a eleição de Dan Ioschpe, representante da WPA, a holding da companhia de Jaraguá do Sul.

Fundos exigiram mudança

Desde o ano passado, o então presidente do conselho de administração da BRF, Abilio Diniz, começou a enfrentar pressões mais duras dos dois maiores acionistas da companhia, os fundos de pensão Petros, dos trabalhadores da Petrobras, e a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil. A razão principal foram os prejuízos acumulados pela companhia. A gota d’água foi a divulgação do balanço de 2017, que estampou prejuízo de R$ 1,1 bilhão.

Em 25 de fevereiro, os dois fundos enviaram correspondência ao conselho cobrando a destituição de todos os membros do mesmo, eleição de um novo, e escolha de uma nova diretoria executiva para a companhia.

O que não deu certo na BRF foi uma gestão com foco mais financista implantado na gestão de Abilio, iniciada em 2013. Pesou também a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que revelou negociações com laboratórios acerca de testes sobre sanidade de carnes. Abilio, contrariado, demorou para marcar as assembleias, que acompanhou com semblante sério. No modelo de voto múltiplo, conseguiu eleger a sua representante no conselho, Flávia Almeida. (Diário Catarinense)

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