PF encontra documentos rasgados de Temer sobre reforma de casa, diz jornal

A Polícia Federal encontrou documentos rasgados sobre uma reforma na casa de uma filha do presidente Michel Temer, informou o jornal Folha de São Paulo nesta segunda-feira. Os papéis foram localizados durante uma operação de busca e apreensão no apartamento do coronel da polícia militar, João Baptista Lima Filho.

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, o coronel é amigo de Temer e foi alvo de um dos delatores da JBS, Ricardo Saud. Na delação, Saud disse ter mandado entregar R$ 1 milhão dos R$ 15 milhões para Lima Filho que o grupo tinha doado para caixa dois de Temer em 2014.

Os papéis foram rasgados, aparentemente com uma régua, nos sentidos horizontais e verticais. O conjunto dos papéis rasgados tinha pouco mais de duas dezenas de páginas. Os policiais tiveram que montar as folhas para ler o conteúdo dos documentos.

A destruição de provas é considerada um crime grave pela Justiça. É uma das justificativas previstas para decretação de prisão. Com esse argumento, a Justiça mandou prender outro aliado do presidente, o ex-ministro Henrique Eduardo Alves na última terça-feira.

Segundo a apuração da Folha, a Procuradoria-Geral da República não pediu a prisão de Lima Filho neste primeiro momento por razões estratégicas. A Polícia Federal também encontrou documentos que apontam que o coronel aposentado controlava ou pagava despesas de Temer. Um dos papéis apreendidos é a nota de um aparalho de telefonia comprado para Temer em 1998.

Os papéis rasgados estavam sobre uma mesa de trabalho para serem descartados, de acordo com investigadores. Lima estava na sala quando os documentos foram achados e mostrou um ar de irritação e contrariedade durante a ação, relatam policiais. Além de mensagens sobre a reforma da casa de uma das filhas de Temer, o pacote continha folhas com o que parecia ser a contabilidade pessoal do amigo do presidente.

A busca no apartamento do coronel Lima, no bairro do Morumbi em São Paulo, ocorreu na manhã do dia 18 de maio, como parte da Operação Patmos, que também prendeu Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).

A operação ocorreu um dia depois de o jornal “O Globo” ter noticiado que o empresário Joesley Batista, da JBS, havia gravado conversas com o presidente. Para a Procuradoria, o diálogo mostra que o peemedebista dá aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, entre outros possíveis crimes.

Os documentos rasgados encontrados na casa do amigo de Temer estão sob sigilo, mas outra parte dessa papelada já se tornou pública. Foram os documentos apreendidos no mesmo dia, em busca realizada no escritório de uma empresa do coronel, a Argeplan Arquitetura e Engenharia, na Vila Madalena. Lá, a Polícia Federal encontrou papéis mostrando que a empresa do coronel fez um orçamento para reformar um apartamento de Maristela Temer, filha do presidente, no Alto de Pinheiros.

Há uma série de versões sobre a justificativa para a reforma. Inicialmente, o presidente disse que o coronel não participara da obra. Fornecedores refutaram essa versão, ao contar que o amigo de Temer tinha feito encomendas para a reforma e fiscalizou a obra entre 2014 e 2015. O próprio presidente esteve lá com o amigo, de acordo com reportagem do jornal “O Globo”.

Posteriormente, o Planalto reconheceu que o coronel atuara na reforma e que a obra fora visitada por Temer quando ele era vice da presidente Dilma Rousseff.

Outro lado

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, a reportagem procurou o coronel reformado João Baptista Lima Filho na Argeplan e na sua casa, enviou e-mail para sua secretária detalhando as dúvidas da reportagem sobre os documentos rasgados, mas não houve resposta. A assessoria de Michel Temer também não quis comentar as menções à filha do presidente que aparecem em documentos rasgados.

O advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, que defende Temer no inquérito que está no Supremo Tribunal Federal, não foi encontrado. Em outras ocasiões, o presidente negou que o coronel seja seu laranja e refutou que tenha recebido recursos ilícitos da JBS em 2014. (Correio do Povo)

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