Policial que socorreu jovem em trabalho de parto na BR-116 afirma que não houve conflito com manifestantes

Caxias do Sul – Uma manhã de protestos já é agitada para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas em Caxias do Sul o desafio ficou ainda maior quando uma adolescente de 16 anos entrou em trabalho de parto no trânsito. A jovem, que estava acompanhada da mãe, ficou retida na longa fila de veículo causada pelo bloqueio no km 146 da BR-116, no bairro São Ciro, por volta das 7h desta sexta-feira (14).

O policial Ricardo Andrade foi um dos que atendeu a ocorrência. Ao contrário do que informou o assessor de imprensa da PRF, ele relata que nem houve conversa com os manifestantes, pois o congestionamento era muito grande e não teria como abrir passagem, mesmo com a colaboração de todos. A solução foi colocar a grávida na viatura, “saltar” o canteiro central e seguir na contramão até o Hospital Geral.

— Estamos sempre prontos, é o que estamos programados. Sempre estamos disponíveis (para ajudar em casos como este). Felizmente deu tudo certo — conta Andrade, que é policial rodoviário federal há 25 anos, sempre atuando em Caxias do Sul.

Às 11h, o Hospital Geral confirmou que a adolescente recebeu atendimento no centro obstétrico e que passava bem. A ideia da família era ir até Vale Real, onde o parto já estava programado. Contudo, a situação de urgência fez com que os patrulheiros levassem a jovem até o atendimento médico mais próximo.

Confira a entrevista com o policial rodoviário federal:

Pioneiro: O que aconteceu?
PRF Ricardo Andrade: 
Foi pouco depois das 7h. Estávamos alternando entre os trechos de bloqueio quando recebemos a mensagem desta grávida que estaria passando mal próximo da igreja do (bairro) São Ciro. O bloqueio era antes, então tivemos que “saltar”  o canteiro e seguir na contramão. Tentamos chamar o Samu pois ela estava com muita dor, mas não teria como a ambulância chegar. Optamos por colocar ela na viatura e levar até o Hospital Geral, que era mais próximo.

Onde elas foram paradas?
Ela estava no final da fila de carros em razão do bloqueio. A intenção delas era ir até Vale Real, onde estava programa e já pago o parto. Mas, dada a situação, não daria tempo. O Hospital Geral era antes do segundo bloqueio e atenderia pelo SUS.

A família chegou a falar com os manifestantes para abrir o bloqueio?
Na verdade, não tinha como abrir. O bloqueio estava muito grande, com caminhões e ônibus. Todo mundo foi chegando e engarrafando cada vez mais. O último da fila estava longe. Por isso “saltamos” o canteiro e fomos na contramão até o bloqueio, onde alternava o sentido.

Então não houve negociação com os manifestantes?
Não houve porque não tinha como tirar os caminhões de cima da pista. Nem pedimos, porque não teria onde colocar (todos os veículos).

Como estava a jovem?
Ela não conseguia caminhar, por isso fizemos uma cadeirinha (dois policiais uniram os braços em formato de cadeira) e a levamos para a viatura. Ela só tremia, não conseguia nem falar em razão da dor. Mas deu tudo certo, chegamos a tempo no hospital. Ela contou que sentiu as dores durante a madrugada e estava se deslocando para o hospital com a mãe e uma menina pequena, talvez a irmã. Elas são moradoras de Vale Real, não sei dizer por que estavam para este lado (da cidade).

O veículo delas ficou lá?
Teve que ficar lá, então pedimos para o pessoal do mercado São Ciro cuidar. As três foram com a viatura para o Hospital Geral.

Como foi o trabalho da PRF nesta manhã de protestos?
Foi bastante agitado, visto que temos uma extrema deficiência de pessoal para trabalhar. A programação era para quatro pontos de bloqueio. Foi uma correria, estávamos fazendo ronda desde as 3h. Quando verificamos, trancou de vez, não tinha muito o que fazer. Os caminhões trancaram tudo, nem o acostamento dava para passar. Utilizamos as vias secundárias, mas as principais também estavam bloqueadas. Eles estavam relativamente organizados.

Como estavam os manifestantes?
Eles estavam pacíficos, mas devido ao bloqueio não tinha o que fazer. Onde iríamos colocar os caminhões que estavam na frente? Não tinha como passar. Eles falaram que iam bloquear e só iriam sair depois da programação deles (no final da manhã).

Como é ser um policial numa manhã dessas?
Como policial, tenho a obrigação de garantir o direito de ir e vir. É a profissão que escolhi e tenho que fazer. Mas também, como cidadão brasileiro, vejo este outro lado que é um direito do povo reivindicar. Apesar que não acho que bloquear rodovia seja a melhor opção.

(Informações Jornal Pioneiro)

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