Preço da carne vai recuar em 2020, mas será maior do que o registrado até setembro, dizem frigoríficos

A associação que representa os frigoríficos exportadores de carne bovina (Abiec) disse nesta terça-feira, dia 10, que os preços da proteína em 2020 devem diminuir em relação a outubro e novembro, mas seguirão mais caros em relação ao período de janeiro e setembro.

Exportação recorde

A associação afirma que 25% da produção brasileira de carne bovina deste ano será vendida ao exterior, uma situação inédita no setor. A média histórica está entre 20% e 22%. Com o resultado, 75% do que foi produzido ficou no mercado interno.

Com dados preliminares para dezembro, a venda de carne de boi para o exterior deve chegar a 1,82 milhão de toneladas, alta de 11,7% em relação a 2018. Em receita, o valor alcança US$ 7,45 bilhões (+13,3%).

Levando em conta apenas o mês de dezembro, a estimativa da associação é que o volume de exportação seja o segundo maior do ano, alcançando 185,3 mil toneladas, atrás apenas das 197,5 mil toneladas de outubro.

Apetite chinês

As exportações para China subiram 39,5% até novembro, chegando a 410,4 mil toneladas contra 294,2 de 2018. Em valores, ficou 59,75% maior, saltando para US$ 2,17 bilhões contra US$ 1,36 bilhão do ano passado.

Para Camardelli, a venda de carne bovina para os chineses já teria aumentado naturalmente este ano por conta do grande volume de frigoríficos autorizados este ano, mas que a crise de peste suína africana no país foi um “agravante” no processo.

O dirigente afirmou que, para 2020, as vendas para China devem ser de 600 mil toneladas, o que representaria um aumento em torno de 30% em relação a 2019. Mesmo com o número maior, a previsão da Abiec é de que as exportações para o país asiático vão girar em torno de 50 a 60 mil toneladas por mês, sem picos de vendas como os que ocorreram neste fim de ano.

“Os preços também já sinalizaram uma diminuição da China. A expectativa é que ainda haja uma ‘zona cinzenta’ até o ano novo chinês, depois se estabilize”, disse o presidente da Abiec.

Na próxima semana, uma comitiva do setor de inspeção sanitária da China (GACC, na sigla em inglês) virá ao Brasil para ajudar os frigoríficos a entenderem os questionários do país e facilitar a habilitação de novas plantas. A Abiec disse que não deverá haver a autorização de novos frigoríficos na visita.

Setor projeta novo recorde em 2020

Para 2020, a estimativa do setor é que o ritmo de crescimento das exportações se mantenha e gere um novo recorde. A projeção é de que o volume negociado suba 13%, chegando 2,06 milhões de toneladas, com faturamento de US$ 8,5 bilhões (+15%).

A manutenção dos mercados atuais e aumento de vendas para a Rússia, Irã e abertura de novos mercados, como os Estados Unidos justificam essa expectativa.

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