“Que responda pelos atos dele”, diz Bolsonaro sobre Ribeiro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) falou nesta quarta-feira (22) que a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro é “prova” de que o governo não interfere no trabalho da PF (Polícia Federal). Deu a declaração em entrevista à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Também disse que não pode ser responsabilizado por eventuais casos de corrupção nos ministérios.

“Nós temos em cada ministério sistema de compliance… […] Tanto é [que tem] corrupção no nosso governo. O caso do Milton é que ele teria buscado prefeito, gente dele para negociar e liberar recursos. O que acontece? Nós afastamos ele”, disse o presidente.

“Se tem prisão, é Polícia Federal, é sinal que está agindo. Ele que responda pelos atos dele. Peço a Deus que não tenha problema nenhum. Mas, se tiver, a PF ta agindo, ta investigando. É sinal que eu não interfiro na PF”, afirmou o chefe de executivo.

Milton Ribeiro é o primeiro ex-ministro de Bolsonaro a ser preso. A operação “Acesso Pago” foi deflagrada nesta quarta-feira (22). A investigação apura a prática de tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

O ex-ministro foi preso pelos crimes de tráfico de influência (pena prevista de dois a cinco anos de reclusão), de corrupção passiva (dois a 12 anos de reclusão), prevaricação (três meses a um ano de detenção) e advocacia administrativa (1 a 3 meses).

São cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco prisões nos Estados de Goiás, São Paulo, Pará e no Distrito Federal. As ordens judiciais foram emitidas pela 15ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal.

O STF (Supremo Tribunal Federal) enviou a investigação contra Ribeiro para a primeira instância no início de junho.

ENTENDA O CASO

A investigação contra Ribeiro apura se pessoas sem vínculo com o Ministério da Educação atuavam para a liberação de recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). O pedido de abertura de inquérito foi feito depois de suspeitas envolvendo a atuação dos pastores Gilmar dos Santos e Arilton Moura.

Milton Ribeiro pediu demissão do cargo de ministro da Educação em 28 de março. O afastamento foi solicitado depois de um áudio vazado mostrar o ministro dizendo priorizar repasse de verbas a municípios indicados por um pastor evangélico a pedido do presidente.

Em áudios divulgados no dia 22 de março, Milton Ribeiro disse que sua prioridade “é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”.

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