Reabertura de plantas embargadas pela UE fica para dezembro

A reabilitação dos 20 frigoríficos do Brasil que foram embargados pela União Europeia só deverá ocorrer a partir de dezembro. Essa é a expectativa do Ministério da Agricultura. A Pasta aguarda a oficialização do embargo, o que tende a acontecer esta semana, para retomar as conversas com os técnicos da área sanitária do bloco europeu.

A estratégia de reação do Ministério da Agricultura começou a ser desenhada pelo ministro Blairo Maggi e sua equipe em reunião na última semana com representantes de empresas do setor como a BRF – que tem 12 plantas na lista do embargo – e as concorrentes Seara e Aurora.

Pelos planos do secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Luís Eduardo Rangel, o Brasil também deve aguardar a visita de uma missão auditores do serviço veterinário europeu para inspecionar os frigoríficos embargados.

Ainda não há uma data oficial para essa visita, mas a previsão do Ministério da Agricultura é que ela aconteça em agosto. Só após essa visita técnica é que o governo começaria a convencer os europeus a habilitarem novamente os abatedouros vetados.

“A partir do deslistamento oficial começaremos um trabalho de reapresentação das plantas a começar por aquelas com planos de ação para correção mais robustos”, explicou Rangel ao Valor.

Segundo o secretário, é natural que os abatedouros mais adiantados no cumprimento das regras exigidas pela União Europeia voltem a vender primeiro. Mas o caminho para alcançar esse objetivo será árduo. Segundo fontes do ministério, a retomada depende muito mais de o Brasil reconquistar a confiança sobre o seu sistema sanitário perante os europeus do que meramente exigir que as empresas brasileiras reforcem seus controles sobre testes.

Do lado europeu, não há qualquer garantia de que a intenção do Brasil de começar a reabrir as unidades em dezembro prosperará. “Não tem como garantir que as exportações estejam aprovadas de novo até ao fim do ano. Desconhecemos tal cronograma”, afirmou um técnico da Comissão Europeia.

Um técnico do governo brasileiro a par das tratativas concorda que o processo de retomada das exportações não será simples. Para que isso aconteça, disse, os países-membros da UE precisam decidir a reabilitação das plantas por meio de nova votação. “Infelizmente, a expectativa realista é que as exportações não voltem em menos de dois anos”.

No setor privado, há mais otimismo. Para o vice-presidente de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, algumas plantas podem ser reaberta antes de dezembro. Segundo ele, o diálogo com os europeus tende a ganhar força a partir de meados de junho, quando o Brasil concluir as respostas às dúvidas adicionais dos europeus sobre a visita feita em fevereiro por técnicos do bloco a frigoríficos do Brasil. (Fonte: Valor)

 

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