Santa Catarina não atinge meta de vacinação contra a gripe

Mesmo com a prorrogação da campanha e de um mês e meio de imunização contra a gripe, Santa Catarina não atingiu a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de 90%. No último balanço, o Estado tinha vacinado 83,5% da população-alvo, como idosos, crianças e professores.

Pelo menos 88,2 mil catarinenses que deveriam ter se vacinado não receberam as doses. Como não alcançaram a meta, os municípios seguem vacinando esses grupos, além de ampliar para crianças de cinco a nove anos e adultos de 50 a 59, enquanto houver doses. A situação mais crítica é com crianças e gestantes.

Em Santa Catarina, a campanha encerrou em 8 de junho. Inicialmente, iria até o dia 1o, mas foi prorrogada em função da greve dos caminhoneiros. No país, o Ministério da Saúde estendeu até o dia 15 e alguns municípios catarinenses também seguem essa data, como Florianópolis e Itajaí.

A gerente de Imunização da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) de SC, Vanessa Vieira da Silva, diz que a cobertura de mais de 80% no Estado é considerada boa, já que até 2016 essa era a meta, mas reforça que é importante atingir os 90%, o que ela acredita que deve acontecer nos próximos dias. A infectologista Regina Valim acrescenta que é fundamental ampliar a cobertura para que mais pessoas estejam protegidas e evitar a circulação do vírus.

— Na vacina, apesar de ser individual, o ganho é coletivo — diz.

Ela aponta que, como a doença é cíclica, em alguns anos tem registrado menor número de casos e mortes, as pessoas relaxam e não procuram se imunizar.

No total, até segunda-feira (11), 47,7% dos municípios catarinenses (141) não atingiram a meta. Florianópolis, por exemplo, apresenta situação preocupante. Das 10 mortes por gripe neste ano em SC, três acometeram residentes da Capital.

Apesar disso, apenas 65,54% do grupo prioritário, segundo sistema do Ministério da Saúde, foram vacinados, o que coloca o município com a nona cobertura mais baixa do Estado (o município, no entanto, considera a cobertura de 71,1%).

A adesão foi impactada pela greve dos servidores municipais e pela paralisação dos caminhoneiros, explica a gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, Ana Cristina Vidor.

— A cada ano tem ficado mais difícil atingir a meta. Para se ter uma ideia, só quatro Estados do país atingiram a meta até agora. Neste ano teve a greve que acabou afetando, o que tirou bastante o foco da campanha — ressalta.

Além de trabalhar com articulações com associações de moradores, realizar dia D e fazer busca ativa dos grupos, algumas unidades de saúde de Florianópolis não estão fechando ao meio-dia e estenderam o horário para tentar contornar a baixa cobertura.

Major Vieira, no Planalto Norte de SC, também tem situação crítica e apresenta a pior cobertura vacinal do Estado: apenas 50,7%. A secretária de Saúde do município, Alexsandra Fernandes de Castro, diz que os profissionais foram às escolas, grupos de idosos e nas localidades do interior falar sobre a importância da campanha, além de anunciar no rádio, mas a procura continua baixa.

— A dificuldade é que as pessoas não procuram, não querem tomar a vacina. Elas têm resistência, têm medo, dizem que passam mal — diz.

Cenário parecido é visto em São Carlos, que tem a segunda cobertura mais baixa. O município do Oeste enfrenta dificuldades, principalmente porque foram registradas reações vacinais em campanhas anteriores.

Foco em dois grupos prioritários mais ausentes 

Dos grupos prioritários, os de gestantes e crianças apresentaram as menores coberturas em Santa Catarina, com 64,6% e 66,9%, respectivamente.

A coordenadora da Dive SC argumenta que o cálculo de gestantes é uma estimativa e é feito para o ano todo. Por isso, elas podem se vacinar no decorrer de 2017. A infectologista Regina Valim reforça a importância da vacinação desse grupo.

— Se a grávida não fizer a vacina, ela não evita o adoecimento com potencial de maior gravidade, e não passa o anticorpo vacinal para o bebê, que também fica desprotegido.

Além disso, a especialista alerta que esse cenário pode ficar ainda pior com a chegada dos dias mais frios:

— Vamos ter temperaturas mais baixas, que são extremamente boas para a circulação viral. Além disso, as pessoas procuram ambientes mais fechados e, com isso, facilita a transmissão.

Idosos foram os mais atendidos nos postos 

Na outra ponta, os grupos que apresentam as maiores coberturas no Estado são professores (88,6%), mulheres que tiveram filhos recentemente (89,1%) e idosos (96,2%) – este último inclusive ultrapassou a marca esperada de 90%.

Em 2017, apenas as puérperas, indígenas e idosos atingiram a meta definida pelo Ministério da Saúde em SC. A cobertura mais baixa foi a de gestantes (74%) e crianças (78%).

Os professores, que no ano passado pela primeira vez fizeram parte do grupo a ser imunizado – pedido antigo da categoria –, atingiram 82% de cobertura. No total, o Estado alcançou a taxa de 90,3% em 2017. No ano anterior, o mais crítico, foram 97,8%, quando SC acumulou 117 mortes pela doença.

Quem pode se vacinar ainda (enquanto houver doses)

Crianças entre 6 meses e nove anos; gestantes; pessoas a partir de 50 anos; professores; profissionais de saúde; indígenas; puérperas (até 45 dias após o parto)

Campanha de vacinação em Santa Catarina

Gestantes
População 71.522
Doses 46.268
Cobertura 64,69%

Crianças 
População 387.577
Doses 259.536
Cobertura 66,96%

Trabalhador de saúde
População 132.299
Doses 99.675
Cobertura 75,34%

Indígenas
População 10.310
Doses 8.800
Cobertura 85,35%

Professor
População 77.699
Doses 68.908
Cobertura 88,69%

Puérperas
População 11.750
Doses 10.470
Cobertura 89,11%

Idosos
População 670.028
Doses 644.947
Cobertura 96,26%

TOTAL
População 1.361.185
Doses 1.136.789
Cobertura 83,51%
Meta: 90% ou 1.225.06
6

Cobertura vacinal em Santa Catarina
2016 97,86%
2017 90,34%
2018* 83,51%

(Diário Catarinense)

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