“SC deverá ter prejuízos incalculáveis com Carne Fraca”, diz presidente da ACCS

Estado – O Brasil e o mundo ainda sentem os impactos e a repercussão da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, deflagrada na semana passada, que investiga empresas do setor alimentício envolvidas em um esquema de corrupção que liberava a comercialização de alimentos produzidos por frigoríficos sem a devida fiscalização sanitária. Autoridades de Santa Catarina estão preocupadas com as consequências da operação.

O setor vive dias de expectativa e realiza uma série de reuniões. O governador do Estado, Raimundo Colombo, esteve esta semana em Brasília, assim como também o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivânio de Lorenzi, que lembra que Santa Catarina não teve empresas frigoríficas de abate envolvidas, apenas a filial de uma empresa do Paraná, que está localizada em Jaraguá do Sul.
Maior produtor de suíno do país, Santa Catarina sente os impactos da Operação e poderá ter prejuízos incalculáveis, revelou o presidente da ACCS em entrevista à reportagem da emissora na manhã desta sexta-feira, dia 24. “Isso tá trazendo prejuízo incalculável na produção. A gente viu a Aurora dizendo que, se não resolver logo, até o início da semana, a empresa vai parar porque não tem capacidade de estocagem”, conta ele.
Cerca de 90% do valor da exportação foi perdido com o desenrolar da Carne Fraca, o resultado de uma inconsequência da Polícia Federal, segundo diz Lorenzi. “O governo do Estado e o federal estão empenhados em resolver a situação. O prejuízo no campo é muito forte. Os embarques diários, as exportações da carne, giravam em torno de US$ 68 milhões, e agora veio para R$ 64 mil. É uma inconsequência do pessoal que fez aquela denúncia”, lamenta.
E os impactos sentidos serão refletidos de várias formas, entre elas, as demissões. O presidente da ACCS explica que este é um efeito dominó. “Quando não há desembarque de carne, não há saída do frigorífico, a capacidade de abate é de uma semana para a estocagem, começa a paralisar o frigorífico, a atividade no campo, trazendo transtorno ao agricultor, prejuízo imensurável com alimentação no campo, é um dominó que vai derrubando tudo”.
Outra consequência é a diminuição da produção no campo e futuros impactos no valor do produto para o consumidor, destaca o presidente. Assim sendo, ele diz que é preciso um apoio desta ala para que ninguém seja prejudicado em excesso. “Se houver cancelamento de exportações, a carne vai ficar por lá. Trazer de volta não dá. E vai afetar muito a produção. Isso ocorrendo a produção vai diminuir drasticamente e vai afetar o consumidor. Neste momento ele vai comprar uma carne praticamente de graça para desovar os estoques, mas depois, na falta, vai pagar muito caro. Por isso o consumidor tem que ser aliado, para que isso seja amenizado”, argumenta.
O presidente concedeu entrevista diretamente de Brasília, onde está desde o início da semana participando de reuniões que visam diminuir os problemas causados pela Operação Carne Fraca. “Tinham falado em fazer várias missões, um grupo de deputados em cada país. Mas não resolve. Precisa de laudos técnicos para explicar realmente [o que aconteceu]. Isso é coisa de criança, fazer o que fizeram. Merecia um processo a Polícia Federal”, desabafa o presidente, pois ele lembra que as irregularidades foram encontradas em poucas empresas, mas atingiu 90% do setor do país.

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