Coronavírus: oito hospitais de SC testarão cloroquina em pacientes com covid-19

Cloroquina é esperança no tratamento da Covid-19 Foto: Pixabay

Em Santa Catarina, pelo menos oito hospitais já fazem parte da rede de unidades que promovem estudos clínicos para testar a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com o novo coronavírus (covid-19). Duas unidades ficam em Florianópolis, quatro em Joinville, uma em Criciúma e uma em Blumenau. Pelo menos três desses hospitais já têm pacientes voluntários que estão sendo testados.

No Brasil, mais de 40 centros clínicos participam dos estudos, encabeçados por importantes instituições de saúde, como Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Sírio Libanês, Oswaldo Cruz e integrantes da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BricNet). Os pesquisadores pretendem avaliar entre 800 e 1,2 mil pacientes voluntários.

Os medicamentos estão sendo doados pela farmacêutica EMS, integrante do Grupo NC, do qual a NSC Comunicação também faz parte. A empresa já fabrica hidroxicloroquina, indicada atualmente para tratar pacientes com lúpus eritematoso, artrite reumatóide e alguns casos de malária.

Segundo o diretor médico-científico da empresa, Roberto Amazonas, os estudos começaram no Albert Einstein no dia 27 de março, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou protocolos submetidos pela farmacêutica, autorizando o início dos testes em pacientes com o novo coronavírus (covid-19).

Os pacientes serão divididos em grupos. Alguns receberão doses isoladas de hidroxicloroquina. Outro receberá também doses de azitromicina, muito utilizada no tratamento de infecções respiratórias e também testada em estudo recente feito na França, que demonstrou recuperação acelerada dos pacientes. Há ainda um terceiro grupo, que receberá hidroxicloroquina associada ao corticóide dexametasona, nos casos mais severos.

A expectativa é obter resultados em pelo menos 60 dias. Depois disso, ainda é necessária a avaliação da Anvisa para obter a liberação da substância no tratamento aos efeitos do coronavírus.

Estudo em Joinville aguarda voluntários para começar

No Centro Hospitalar Unimed (CHU), em Joinville, o médico coordenador de UTIs Adulto, Glauco Westphal, afirma que toda a estrutura para os estudos começarem está pronta. A unidade já recebeu os lotes de medicamentos. Para iniciar o primeiro teste, o corpo clínico aguarda a chegada do primeiro paciente diagnosticado com o novo coronavírus disposto a participar do estudo.

O CHU vai participar do grupo de estudos por meio da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BricNet). Segundo Westphal, a unidade hospitalar vai participar das três coalizões formadas pela BricNet para testar a hidroxicloroquina.

Na chamada primeira coalizão, o estudo será conduzido com pacientes que apresentam sintomas leves da doença. Eles serão divididos em três grupos. O primeiro receberá apenas hidroxicloriquina. O segundo, hidroxicloroquina com azitromicina. O terceiro terá tratamento convencional, sem nenhuma dessas substâncias. Em todo o país, devem ser testados 630 pacientes.

Na segunda coalizão serão monitorados pacientes com estado moderado de infecção por coronavírus, que receberão hidroxicloroquina com azitromicina ou apenas hidroxicloroquina isolada. A expectativa é testar 436 pacientes no Brasil.

Já na terceira coalizão entram os pacientes que apresentam estágios mais graves da doença, que necessitam de ventilação mecânica. Eles receberão doses de hidroxicloroquina associada à dexametasona. Segundo Westphal, são casos que apresentem a chamada Síndrome de Angustia Respiratória do Adulto (Sara), um dos estágios mais graves da pneumonia.

Quem participa

Os pacientes serão voluntários, com 18 anos ou mais e serão selecionados por sorteio, para garantir a distribuição ideal da amostragem do estudo. O tratamento com a hidroxicloroquina levará em torno de sete dias.

Westphal explica que ao chegar um paciente com suspeita de coronavírus, o médico envolvidos na pesquisa conversarão com o paciente ou, caso ele esteja impossibilitado, com o familiar. Ele explicará os riscos e os benefícios de participar do estudo, além da importância dos testes.

– O paciente e o familiar são absolutamente livres para decidir sobre a participação no estudo. Caso consintam, é assinado um termo e, a partir da assinatura desse termo, se procede à randomização, que é o sorteio, para saber se esse paciente vai receber o esquema ‘X’ ou o esquema ‘Y’ de tratamento. A partir desse sorteio, que é feito de forma eletrônica, não temos nenhuma influência nele, o paciente recebe o tratamento durante o tempo previsto, que será de sete dias – detalha Westphal.

Em Joinville, além do Centro Hospitalar Unimed, participam dos testes clínicos o Hospital Dona Helena, Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e o Hospital São José.

Em Florianópolis, dois hospitais participam de estudos

Em Florianópolis, uma instituição pública e outra privada estão à frente dos testes com a hidroxicloroquina. O Hospital Nereu Ramos, gerido pelo Estado, inclusive, já atendeu o primeiro paciente na última sexta-feira, 3. Segundo o governo do Estado, ele apresentava um quadro leve de sintomas e já está recebendo o tratamento com a substância.

Por enquanto, o Nereu Ramos é a única únidade gerida pelo governo estadual a participar de estudos clínicos que testem a eficácia de medicamentos contra o novo coronavírus.

Já na rede privada, é o Hospital Baía Sul, no Centro de Florianópolis, que participa da coalizão nacional para os estudos da hidroxicloroquina.

A pesquisa começou nesta segunda-feira, com inclusão do primeiro paciente voluntário, internado na enfermaria do hospital. Segundo a direção do Baía Sul, inicialmente a unidade está focando na participação de pacientes internados que apresentam quadro leve de insuficiência respiratória.

Os pacientes serão dividos em três grupos, que receberão a hidroxicloroquina somente, a substância acompanhada da azitromicina ou não receberão nenhum desses medicamentos – terão o tratamento padrão contra o vírus. A intenção é verificar como se dá o desenvolvimento da doença entre os grupos.

Posteriormente, os testes serão estendidos também a pacientes que apresentarem sintomas moderados a graves da doença.

Testes no Sul do Estado já começaram

Em Criciúma, o Hospital São José, unidade filantrópica que atende pacientes do SUS, já iniciou os testes com a hidroxicloroquina no último dia 2, com pacientes voluntários. A unidade também testará os efeitos da substância isolada, acompanhada de azitromicina e da dexametasona. Participam dos estudos clínicos pacientes que apresentem sintomas leves, moderados e graves.

Blumenau

Já no Vale do Itajaí, o Hospital Santo Antônio, de Blumenau, e a Clínica Angiocor Blumenau integram a rede de pesquisas.

Eles conduzirão os três testes, com a hidroxicloroquina isolada ou associada à azitromicina e à dexametasona. Participarão pacientes com sintomas leves, moderados e graves.

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