Dificuldade: Após dez anos ONG Faunamiga corre o risco de encerrar atividades

Capinzal – Após dez anos a Associação de Proteção Animal Faunamiga pode encerrar atividades no ano que vem. A informação foi divulgada na tarde desta segunda-feira (17). De acordo com a voluntária Evelin Serafini, que atua na ONG há oito anos, em 2019 corre-se sim o risco do encerramento das atividades da entidade que foi fundada em 25 de agosto de 2008 e que, atualmente, abrange os municípios de Capinzal, Ouro, Zortéa e Lacerdópolis.

“Em decorrência da falta de suporte, estrutura que os municípios estão oferecendo. Nós recebemos do município de Capinzal recursos financeiros para a realização do projeto de castração. Isso por que todos os anos nós entramos com projetos no município, é licitado, nós temos três orçamentos, o menor valor ganha, o município licita direto com a clínica e é repassado esse valor diretamente para a empresa prestadora do serviço, a ONG somente faz o gerenciamento dos animais que serão atendidos pelo programa”, explica Serafini.

De acordo com ela, fora isso, o maior problema da Faunamiga está na estrutura, que se trata das casas de apoio. “É o que a gente sempre vem falando que elas estão superlotadas. A quantidade de animais doados é muito inferior à quantidade de animais resgatados. As nossas cinco casas de apoio estão com 22 animais cada, e uma com 30, e um problema que assola o município é o abandono, é a causa animal, e hoje a Faunamiga está à frente do município com relação a isso, nós que deveríamos ser os coadjuvantes somos os protagonistas disso tudo”, completa.

A voluntária ressalta que neste ano foram repassados pelo município de Capinzal R$ 50,4 mil para as castrações, o que corresponde a uma média de 230 procedimentos. Ouro repassa R$ 4 mil, o que, segundo ela, não atende a 12 castrações. “E olha que o município apresenta demanda alta nessa área”, reitera.

Evelin chama a atenção para a Lei de Posse Responsável, que deveria ser levada a risca. “Foi protocolado pedido de ajuda junto à administração de Capinzal. Estamos aguardando as tratativas, foram várias reuniões realizadas visando a criação de um abrigo coletivo para alojar os animais e assim facilitar o trabalho das voluntárias, desafogando as casas de apoio e com ajuda de servidores do município, a exemplo da área veterinária para ajudar nos atendimentos, uma vez que hoje a ONG custeia todos os atendimentos.

“Nós temos convênios com algumas clínicas parceiras, mas de qualquer forma não supre as necessidades da causa animal”. Evelin diz que provavelmente em março deverá ter a posição definitiva quando à paralisação das atividades, quando a ONG deverá ter o retorno dos outros municípios.

“É extremamente urgente essa necessidade. Nós, em seis voluntárias, não temos mais estrutura, nem psicológica. As voluntárias estão esgotadas. Somente são punidos os casos que são levados ao poder judiciário, mediante boletins de ocorrência feitos pela ONG com apoio das polícias Civil e Militar, desta forma fazendo com que cheguem ao conhecimento do Ministério Público e, assim, denunciados à justiça”.

A voluntária, por fim, pontua que o município precisa ter políticas públicas sobre a causa animal e controle de zoonoses. “Sabemos que com a paralisação das atividades, o município terá muitos problemas em relação a isso. E nós não queremos isso, nós queremos continuar e espero poder anunciar que não encerraremos as atividades”, conclui.

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