Caso Kiss: 6º dia de audiências tem dois sobreviventes e uma testemunha da defesa

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O júri da boate Kiss foi retomado às 9h desta segunda-feira (6) no Foro Central I, em Porto Alegre. Durante o sexto dia de audiências, serão ouvidos: a testemunha Stenio Rodrigues Fernandes e os sobreviventes Willian Renato Machado e Nathalia Daronch, todos arrolados pela defesa de Elissandro Spohr. Nathalia é esposa de Kiko.

O juiz Orlando Faccini Neto, que preside as sessões, determinou que, a partir de agora, três pessoas serão ouvidas por dia. Durante conversas com jornalistas no intervalo, o magistrado disse ser difícil projetar alguma data para o encerramento das oitivas com testemunhas e sobreviventes.

No domingo (5), três pessoas prestaram depoimento. A testemunha Tiago Mutti, sócio de empresa que originou a Kiss, foi convertida a informante porque responde a um processo por falsidade ideológica relacionado à boate.

O sobrevivente Delvani Brondani Rosso falou sobre o momento do incêndio, a perda de amigos e das lesões sofridas na tragédia. O jovem tirou a camiseta e mostrou cicatrizes nas costas.

“Quando eu fui caindo, fui me despedindo… da minha família, dos meus amigos. Pedi perdão”, disse. Já a ex-segurança da boate Doralina Peres, a última a ser ouvido no domingo, detalhou como era a organização da entrada de público na Kiss. A sobrevivente relatou que desmaiou enquanto tentava sair da boate e não lembra de muita coisa.

“Lembro de muito grito, muita confusão”, disse.

Segundo o Tribunal de Justiça, já foram ouvidas 16 pessoas (10 sobreviventes, quatro testemunhas e dois informantes). Ainda restam 13 pessoas: dois sobreviventes e 11 testemunhas.

Entenda o caso

Os quatro réus são julgados por 242 homicídios consumados e 636 tentativas (artigo 21 do Código Penal). Na denúncia, o Ministério Público havia incluído duas qualificadoras — por motivo torpe e com emprego de fogo —, que aumentariam a pena. Porém, a Justiça retirou essas qualificadoras e converteu para homicídios simples.

Para o MP-RS, Kiko e Mauro são responsáveis pelos crimes e assumiram o risco de matar por terem usado “em paredes e no teto da boate espuma altamente inflamável e sem indicação técnica de uso, contratando o show descrito, que sabiam incluir exibições com fogos de artifício, mantendo a casa noturna superlotada, sem condições de evacuação e segurança contra fatos dessa natureza, bem como equipe de funcionários sem treinamento obrigatório, além de prévia e genericamente ordenarem aos seguranças que impedissem a saída de pessoas do recinto sem pagamento das despesas de consumo na boate”.

Já Marcelo e Luciano foram apontados como responsáveis porque “adquiriram e acionaram fogos de artifício (…), que sabiam se destinar a uso em ambientes externos, e direcionaram este último, aceso, para o teto da boate, que distava poucos centímetros do artefato, dando início à queima do revestimento inflamável e saindo do local sem alertar o público sobre o fogo e a necessidade de evacuação, mesmo podendo fazê-lo, já que tinham acesso fácil ao sistema de som da boate”.

 (G1)