Dengue: conheça os sintomas da doença perigosa

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A dengue tem sintomas que podem preocupar e se agravados, podem levar a morte do paciente infectado. A alta no número de casos de dengue é comum em períodos de chuva e calor intenso, por permitir a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. 

Em Santa Catarina, isso ocorre no início de cada ano, o que deixa o Estado em alerta e com municípios em situação de epidemia — quando são registrados ao menos 300 casos da doença a cada 100 mil habitantes, segundo classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O que é a dengue

É uma doença infecciosa causada por um arbovírus de nome semelhante, o Dengue virus (DENV), que tem quatro versões identificadas, chamados também de sorotipos.

Como a dengue é transmitida

A transmissão ocorre somente pela picada de uma fêmea do mosquito Aedes aegypti que carregue um dos quatro sorotipos do vírus da dengue. Ela também pode transmitir a zika e chikungunya.

Não há transmissão da dengue pelo contato com uma pessoa que esteja doente nem com objetos, fontes de água ou alimentos.

Sintomas da dengue

Entre os principais sintomas são febre alta náusea e dores de cabeça. No entanto, a doença pode evoluir para casos mais gaves, quando estes sintomas passam a ser mais evidentes. Veja a lista:

  • Febre alta (de 39° a 40º)
  • Náusea
  • Dores de cabeça (cefaleia)
  • Dores musculares (mialgia) 
  • Dores nas articulações (artralgias) 
  • Dores fundo dos olhos (retro-orbital)

Sintomas graves da dengue

O quadro mais grave da dengue, apresenta sintomas como:

  • Febre hemorrágica da dengue (FHD) 
  • Dengue hemorrágica
  • Sangramentos na boca, no nariz, nos olhos, nos ouvidos e/ou no intestino 
  • Manchas vermelhas na pele,
  • Dor abdominal intensa
  • Vômitos persistentes 
  • Queda da pressão arterial, o que também é chamado de choque e pode ser fatal

É importante procurar orientação médica em ambos os casos, em especial no segundo, que exige atenção imediata quando houver surgimento de qualquer um dos sintomas graves.

Quando surgem e quanto tempo duram os sintomas da doença?

Os sintomas podem aparecer de três a 15 dias após a picada pelo mosquito — em média, entre o quinto e o sexto dia — e costumam durar de cinco a sete dias. No caso da FHD, o choque ocorre entre o terceiro e sétimo dia, precedido já de sinais de alerta.

O que pode levar ao quadro mais grave da dengue?

Ainda não está claro quais características de um paciente podem torná-lo mais suscetível a isso, mas já se sabe ao menos que todos os quatro subtipos do vírus podem causar a versão mais grave da doença.

Autoridades de saúde também já entendem que é mais comum a febre hemorrágica da dengue ocorrer a partir da segunda infecção. No entanto, isso é difícil de ser reconhecido pelo próprio paciente, que pode não ter apresentado sintomas em algum contato anterior com o vírus ou ter confundido a dengue com algum outro quadro viral quando sofreu com a doença.

Em todo o caso, fatores individuais de cada paciente merecem atenção ao longo do tratamento, seja em relação à dengue comum ou à FHD — isso vale em especial para gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Saiba identificar o mosquito transmissor

O Aedes aegypti é marrom escuro, com manchas brancas bem características no tronco e nas patas. Ele é menor do que mosquitos comuns e faz pouco ruído.

Além disso, tem hábitos diurnos, como a alimentação. Para maturar os ovos que vão gerar novos mosquitos, as fêmeas precisam consumir sangue humano — é quando transmitem o vírus da dengue.

Como funciona o tratamento? É gratuito?

Não existe um tratamento específico contra o vírus da dengue. São dedicados cuidados aos sintomas, o chamado tratamento sintomático, até que o paciente esteja curado. Em geral, isso envolve ingestão de líquidos e analgésicos.

Não é recomendada a automedicação, já que remédios com efeitos anticoagulantes, por exemplo, podem aumentar o risco de ocorrer sangramentos e agravar a doença.

É fundamental procurar orientação médica, o que pessoas infectadas com a dengue podem receber gratuitamente a partir de qualquer unidade de atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS).

Como diferenciar a dengue da Covid-19, da zika e chikungunya

Apesar de também poder incluir febre e dores, a Covid-19 está associada a sintomas respiratórios, como dor de garganta e tosse, diferentemente da dengue. Além disso, o coronavírus é transmissível pelas vias aéreas por pessoas infectadas.

Já a zika costuma causar febre baixa e pode ser transmitida pelo sexo sem proteção e da mãe para o feto durante a gravidez, o que não ocorre com a dengue. A chikungunya, também com sintomas bem parecidos aos da dengue, concentra dores nas articulações.

Em todo o caso, o diagnóstico mais assertivo só é feito a partir de avaliação médica, o que pode incluir realização de exames laboratoriais para haver confirmação.

Quais testes podem detectar a dengue? São gratuitos?

Os testes usados para diagnosticar a dengue se dividem entre os que são aplicados até o quinto dia de sintomas, atentos à presença do vírus no organismo, e os que são utilizados após esse período, visando detectar anticorpos já produzidos pelo corpo.

No primeiro caso, se destacam o PCR, que identifica o vírus, mas pouco utilizado rotineiramente, e o exame NS1, que detecta uma glicoproteína como esse mesmo nome — ela aparece em alta concentração no soro do sangue de pessoas infectadas com a dengue, o que permite o diagnóstico precoce.

Já após o sexto dia, o mais comum é ser aplicado o exame IgM e IgG, que também exige coleta de sangue e usa a técnica de sorologia, para identificar anticorpos. Na rede pública, todos eles estão disponíveis e são aplicados a pedido das equipes de saúde.

Existem ainda testes rápidos, com resultado em até 30 minutos, também presentes no SUS, mas que são usados ocasionalmente para triagem dos pacientes, e não propriamente para o diagnóstico — e o início do tratamento independe deles. 

Além disso, profissionais de saúde podem se valer de exames que não são específicos para detectar a dengue, mas que ajudam no acompanhamento da doença, como é o caso do hemograma, que analisa componentes do sangue.

Existe vacina que previna a dengue? É gratuita?

Existe, mas não é oferecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Trata-se da Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi-Pasteur e aprovada no Brasil desde 2015, mas com recomendação apenas para casos específicos. Ela está disponível na rede particular.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contraindica o uso dela por quem nunca teve dengue e restringe a aplicação a pacientes que, entre outras características, já tiveram dengue e ainda vivem em área endêmica, ou seja, locais em que o vírus tenha infectado ao menos 70% das pessoas.

Qual a melhor forma de se prevenir da dengue?

A forma mais eficiente de evitar a doença é combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti ainda na fase inicial da vida dele, ou seja, quando ainda é um ovo ou uma larva.

Por isso, é fundamental evitar ambientes expostos com água parada, que são usados como criadouros pelas fêmeas do mosquito. Caixas d’água, calhas e lixeiras, por exemplo, devem estar lacradas.

Vasos de plantas também merecem cuidados, e as piscinas exigem tratamento contínuo da água. Na rua, qualquer objeto que possa servir de recipiente, como entulhos e garrafas vazias, precisa ser recolhido.

Mesmo sem água, os ovos do mosquito podem resistir por até 450 dias no ambiente seco após depositados. Por isso, é importante fazer a desinfecção de recipientes mesmo depois de esvaziados.

Agentes de prefeituras costumam aplicar ainda fumacês de inseticidas para matar os mosquitos que chegaram a fase adulta. O uso de repelentes também pode ser adotado para evitar o Aedes aegypti que tenha alcançado essa etapa de seu ciclo de vida.

Fêmea do mosquito precisa de sangue humano para maturar os ovos

Fêmea do mosquito precisa de sangue humano para maturar os ovos

(Foto: Divulgação/Secretaria de Saúde de Santa Catarina)

As informações são da NSC.