Devastadora enchente de 83 completa 34 anos nesta sexta-feira

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Capinzal – Em 07 de julho de 1983, Santa Catarina sofria com uma das maiores enchentes registradas no Estado. De Caçador, passando por Videira, Joaçaba, Herval d´Oeste até Capinzal o rio subiu mais de 13 metros e onde a água passou, levou casas, animais, empresas e vagões de trens. Há décadas o Rio do Peixe auxilia na economia do Meio-Oeste, mas há 34 anos a fúria da natureza revelou um dos seus lados mais cruéis quando a região viu o seu principal aliado mudar de lado e, onde havia riqueza e prosperidade, o Rio do Peixe trouxe destruição e tragédia.

O rio Capinzal, que corta o centro de Capinzal e desemboca no rio do Peixe foi sendo represado e suas águas subiam à medida que subiam as águas do rio do Peixe, invadindo estabelecimentos comerciais e indústrias. As estradas da região começaram a apresentar problemas, o trânsito na SC-303 foi interrompido, o centro da cidade de Lacerdópolis estava tomado pelas águas e barreiras haviam caído na rodovia de ligação com Joaçaba. O tráfego de veículos ligando Capinzal e Ouro à região de Joaçaba foi desviado pelo interior de Ouro.

Em Capinzal 76 residências desapareceram das margens do rio na rua Beira Rio, somadas a 116 famílias desalojadas. Centenas de outras famílias desabrigadas. Praticamente todo o centro comercial da cidade invadido pelas águas.

“A chuva caia constantemente sem trégua. Sobre a ponte Irineu Bornhausen, muita gente presenciava as águas levarem: troncos, árvores, madeira beneficiada, botijões de gás, casas, animais, colhidos rio acima. Pouco antes das 17h o sistema de telefonia foi interrompido, já não tínhamos comunicação local e nem com as demais cidades da região. Equipes de funcionários da CELESC subiam em postes e cortavam o fornecimento de energia. Às 18h15min as ruas centrais, Ernesto Hachmann e XV de Novembro começaram a alagar. Outras ruas centrais como: Dona Linda Santos, Dom Vicente Gramazio, Narciso Barison e Maria Angélica Almeida naquele momento já estavam totalmente alagadas e a correria no início da noite era enorme. Em Ouro a situação não era diferente, principalmente nas residências e casas comerciais das ruas Felipe Schimidt e Jorge Lacerda. Pouco antes das 19h as duas cidades escureceram, era interrompido por completo o fornecimento de energia”, relatou o radialista Ailton Viel.

Medos e incertezas pairavam no semblante de todas as pessoas. Rumores surgiam de que a ponte Irineu Bornhausen, que liga Ouro a Capinzal, não suportaria a correnteza do rio e poderia ruir. Pouca gente depois das 21 horas, se atreveu a atravessá-la. A ponte pênsil, pouco abaixo, já estava destruída.

O centro da cidade estava todo alagado, a fúria das águas estouravam as residências da Rua Beira Rio. Rapidamente seguia rio as casas daquela localidade, quando se ouvia um coro com os que lamentavam, gritavam e choravam ao assistir aquela cena.

Nas esquinas das ruas XV de Novembro com Ernesto Hachmann, Praça Pedro Lélis da Rocha, largo do Terminal Rodoviário, Central Telefônica e Estação Ferroviária o rio subira quatro metros acima da pavimentação da rua.

VILA SETE

Para evitar que um dia fato semelhante viesse a acontecer, a Administração Municipal, tendo a frente o então prefeito Celso Farina adquiriu uma área de terra nas proximidades da chamada Estrada Velha, de propriedade do advogado Lourenço Brancher. Com material doado por uma empresa construtora de barragem, dezenas de casas pré-moldadas foram construídas no local. Nascia assim a Vila Sete de Julho, início de um processo de desenvolvimento de toda a região hoje chamada de Cidade Alta. O nome é uma recordação da data da maior enchente da história de Capinzal.

A história ficou registrada nas fotos e na vida das pessoas que residiam principalmente às margens do rio. (Com informações do Jornal Diário do Vale e Rádio Capinzal)