Capinzal – A Secretaria de Estado da Saúde se manifestou através do setor técnico a respeito da viabilidade de uma UTI móvel para o município de Capinzal, assunto que rendeu polêmica nos últimos dias. Por iniciativa do vereador Rafael Tonial (PSB) o governo do estado teria liberado R$ 200 mil para a compra do veículo especializado para atendimento de pacientes em situações graves para hospitais de referência da região.
Contudo, em levantamento feito pela administração de Capinzal, chegou-se à conclusão de que é inviável a implantação do serviço devido ao alto custo de manutenção da equipe médica, entre outras despesas. A administração sugeriu que fosse comprada uma ambulância básica para transporte de pacientes, mas a opção não foi bem aceita pelo parlamentar.
O assunto ganhou as sessões da Câmara de Vereadores e redes sociais. Tonial insiste que o município não teria despesa e ganhou o coro do vereador Kelvis Borges (PP). Ambos foram recentemente a Lindóia do Sul, município que teria esse tipo de serviço.
Na última sexta-feira (28) a superintendente do Serviço Especializado e Regulação da Secretaria de Estado da Saúde, Karen Cristine Keller Leopoldo, concedeu entrevista ao radialista Marlo Matielo, da Rádio Capinzal, abordando o assunto.
Questionada se o município de Capinzal está apto ou não a receber uma UTI móvel, Karen Leopoldo respondeu, categoricamente, que a regulação do uso de UTI’s móveis no Estado é feita pelas centrais de internação e regulação do SAMU.
“Num primeiro momento é importante destacar que hoje em Santa Catarina nós só possuímos UTI’s móveis vinculadas ao SAMU e aos grandes hospitais do Estado. UTI quando eu falo significa você ter uma unidade de suporte avançado com respirador e condição de entubar paciente, ficar com esse paciente entubado até que ele vá para uma das UTI’s. Os municípios pequenos, como é o porte de Capinzal, eles não se enquadram nesse tipo de municípios com capacidade para absorver esse tipo de serviço. Primeiro porque ele vai exigir, não é puro e simplesmente ter um veículo chamado Unidade de Suporte Avançado, é você ter que garantir toda uma estrutura 24 horas com médico, enfermeiro e motorista-socorrista para um município que hoje é gestor básico, e pela lógica do Sistema Único de Saúde só é referência na Atenção Básica, então, até tanto o prefeito quanto a secretária municipal de Saúde terão muita dificuldade em conseguir garantir uma estrutura que não custa barato, né, o custo efetivo de uma unidade de suporte avançada é bem alto, mensal, e no Estado de Santa Catarina, hoje, as UTI’s são de gestão estadual e estão vinculadas ao SAMU no Estado, então a gente tem hoje cobertura de 100% do Estado com as unidades de suporte avançado do SAMU que hoje são 23. Então, assim, a nossa recomendação, da parte técnica da secretaria e para o município, ele poderia ter uma unidade de suporte básico ou melhorar e qualificar as unidades de transporte de pacientes para fora do domicílio que precisa para levar os pacientes aos municípios de referência”, explicou.
A superintendente do Serviço Especializado e Regulação da Secretaria de Estado da Saúde reitera que a regulação do SAMU é que indica a necessidade ou não de uma unidade de suporte avançado para uma determinada ocorrência, isso já é regulado pelo SAMU em Santa Catarina.
“O município não recebe recursos para essa finalidade (UTI Móvel). A UTI móvel é um serviço especializado e o município de Capinzal ele é gestor básico, ele tem médicos da família, tem o programa de estratégia da família, unidade básica de saúde, ele não é um município de gestão especializada do SUS, então, logo, ele não recebe recurso financeiro especializado, então isso implicaria em o município também ter que usar o dinheiro da atenção básica para bancar uma UTI, não faz sentido”, finalizou.
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