Sala para formação escolar de mais de 1,7 mil detentos de SC sai do papel com recursos oriundos do MPT

Política

No dia seis de dezembro será inaugurada no Complexo Penitenciário da Agronômica, em Florianópolis, a sala multiuso da unidade prisional. O espaço conhecido como Casa Velha – por estar localizada na parte mais antiga da Penitenciária, foi totalmente reformado e adequado com verbas do Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC).  A sala será utilizada como laboratório de informática e qualificação na área de educação (nivelamento – ensino fundamental), superior à distância e outros segmentos, beneficiando 1.760 detentos reclusos no Complexo.

O Projeto, de autoria do Conselho da Comunidade na Execução Pena da Comarca de Florianópolis, foi elaborado com o propósito de atender ao Decreto n. 7.626, de 2011, que instituiu o Plano Estratégico de Educação no âmbito do Sistema Prisional, com a finalidade de ampliar e qualificar a oferta de educação nos estabelecimentos penais, contribuindo para a consecução do Plano Estadual de Educação para Pessoas Privadas de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional de Santa Catarina – 2021. O Complexo era a única unidade prisional do Estado que não tinha uma sala própria para as atividades educativas.

Os recursos, na ordem de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), são provenientes de multa por descumprimento de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado pela Versatille Empreendimentos Imobiliários Ltda., com sede em Itapema, perante a então Procuradora do Trabalho Dulce Maris Galle, hoje lotada na Regional do Rio de Janeiro. A empresa foi denunciada por várias irregularidades relacionadas ao meio ambiente de trabalho. Em fiscalização realizada pelo CEREST de Blumenau, após a assinatura do acordo, foram observadas falhas recorrentes em pelo menos três grandes obras da construtora, colocando em risco a vida dos trabalhadores.

A verba, além de custear a contratação do Projeto de engenharia arquitetônico, hidráulico e elétrico, serviu para a aquisição de câmeras de monitoramento e grades de segurança, do material utilizado na reforma física do ambiente, computadores, ventiladores e acessórios, bancadas e cadeiras. A mão de obra ficou a cargo dos próprios detentos. O repasse do valor da multa foi articulado junto à 1ª Vara do Trabalho de Balneário Camboriú, nos autos da AExTAC 0000872-70.2019.5.12.0040 pelo procurador do Trabalho Roberto Portela Mildner, hoje titular do 8º Ofício do MPT-SC.

Na petição o Procurador Roberto salienta que com “a implementação do ensino a distância, o MPT contribui para o processo de ressocialização, do resgate da dignidade humana e da autoestima dos condenados”.