O novo boletim hidrometeorológico divulgado pelo Governo de Santa Catarina na última sexta-feira (10), aponta um agravamento da condição de estiagem no Estado, com atenção especial para os municípios de Bandeirante, Paraíso e Piratuba, enquadrados como localidades em situação de seca severa. A avaliação é realizada pelo Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cigerd), ligado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Sustentável (SDE).
Os resultados observados foram ao contrário das expectativas do próprio boletim anterior, divulgado em janeiro. Matéria publicada pelo Diário do Iguaçu em 1º de fevereiro mostra que haviam boas projeções de que a normalidade de chuvas viria para Santa Catarina durante o mês passado, no entanto, os acumulados foram abaixo do esperado em todo o Estado.
No Oeste, a média regional é de que a precipitação foi ente um e 40 milímetros abaixo do normal, exceto em parte do Alto Uruguai, onde as chuvas foram ainda menores.
Quadro severo
Três municípios do Oeste são os únicos do Estado a se enquadrarem em uma situação de seca severa, onde perdas de cultura ou pastagens são prováveis, a escassez de água é comum, e restrições de água são impostas à população.
Em Paraíso, porém, o secretário de Agricultura do município, Valnei Trentin, afirmou que a situação de estiagem está normalizada, e que os meses de crise foram dezembro de 2022 e janeiro de 2023, com perdas gerais na produção de 15% da área plantada. A reportagem não conseguiu contato com a Prefeitura de Bandeirante, por problemas de telecomunicações.
Em Piratuba, o secretário de Cidade e Desenvolvimento Econômico, Evando de Azeredo, afirmou que a Prefeitura está avaliando decretar situação de emergência: “O decreto pode vir em breve. Estamos esperando se algum outro município do Alto Uruguai também irá tomar esta providência, mas Piratuba tem a pior situação da região. Atualmente, estamos atendendo a cerca de 75 famílias que estão sendo afetadas diretamente com a seca. Delas, 40 recebem água de caminhões pipa para consumo humano, de forma exclusiva. Os poços artesianos não estão vencendo a demanda de água em várias localidades. Esta é a pior seca dos últimos quatro ou cinco anos. Com recursos próprios, não vemos mais como sanar isso”.
O boletim ainda aponta uma situação de alerta para estiagem nos municípios de São Miguel do Oeste e Santa Helena, no Extremo Oeste. Em São Miguel, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) já identificou falta de água na zona urbana, enquanto em Santa Helena, onde o serviço é municipalizado, está sendo registrado dificuldade de captação e uso de caminhão pipa. Nos dois municípios, a água é captada tanto de forma subterrânea quanto superficial.
Em Belmonte, uma equipe da Prefeitura trabalha há alguns dias no transporte de água para o interior, destinada ao consumo humano e animal. O trabalho inicia logo pela manhã e segue até fim do dia.
São abastecidos reservatórios comunitários e particulares para consumo humano, e reservatórios destinados ao abastecimento de animais. A previsão é de que se as chuvas não normalizarem, o volume aumente nos próximos dias.
Emergência em Seara
Na segunda-feira (13), a Prefeitura de Seara decretou situação de emergência devido à estiagem que atinge o município. O secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Renato Tumelero, desabafou que o uso deste dispositivo já se tornou rotina: “Alguns programas ao nível de Município e do Governo do Estado foram executados assim que começou a faltar água nas propriedades, com a instalação de cisternas, preservação de nascentes e construção de reservatórios. Mesmo assim, a chuva dos últimos meses foi baixa e mal distribuída”.
Atualmente, os caminhões pipa levam a 44 propriedades água para animais, e 60 famílias recebem água potável dos veículos. A Casan está fazendo transporte de água para o reservatório da companhia que abastece a área urbana, e a unidade da JBS também
faz a mesma operação para o consumo industrial: “Estes movimentos, somados ao esgotamento da estrutura municipal de responder à seca, fizeram com que em reunião com a Defesa Civil na segunda-feira, viesse a recomendação ao prefeito Edemilson Canale de decretar situação de emergência. Esperamos que em um curto espaço de tempo possamos ter à disposição máquinas e aportes dos governos Estadual e Federal para conseguirmos atender principalmente os produtores que estão passando por este momento difícil”, comenta o secretário Tumelero.
Quanto as perdas da safra de verão, o monitoramento que é feito apontou que existem propriedades que perderam 100% da plantação, enquanto outras localidades não registraram nenhuma perda, em função da má distribuição da chuva. Na média
municipal, as perdas em Seara chegaram a 20% do total de área plantada, e estão crescendo.
A cultura mais prejudicada foi a do milho destinado à produção de grãos: “Tanto a Prefeitura quanto as associações estão correndo para conseguir aproveitar ao máximo o que sobrou do milho para fazer a silagem correspondente, e garantir o abastecimento deste insumo”, conclui Renato.
Emergência em Concórdia
Ontem (15), a Prefeitura de Concórdia decidiu que irá decretar situação de emergência devido às perdas sofridas pela estiagem. O documento será elaborado após o aval da Defesa Civil e demais entidades.
O problema da falta de chuva é persistente, conforme explica o responsável regional da Defesa Civil, Adilson Oliveira, já que desde 2018 o município sobre com o déficit hídrico. “O solo é como uma esponja, e nos últimos anos não tivemos volumes significativos
de chuva para armazenar a água e reabastecer poços, por exemplo”.
Segundo informações do responsável pela Defesa Civil do município, Miro Toldo, é realizado o transporte de água potável para consumo humano para cerca de 30 famílias no interior, já que a falta de água ocorre em pontos específicos, pois a chuva cai de forma mal distribuída. Isso afeta também a produção agrícola, que registra pontos de chuva regular e outras abaixo da média dependendo da comunidade.
O secretário de Agricultura, Mauro Martini, citou dados mostrando que o Poder Público tem adotado medidas, desde 2017, para amenizar o problema do interior, por meio também de incentivos estadual e federal.
O resultado é que, desde 2018, cerca de 85 novas cisternas foram construídas, além de limpeza e abertura de depósitos de água nas propriedades, resolvendo de forma permanente a falta de água aos produtores.
O prefeito Rogério Pacheco destacou que o papel do Poder Público é encontrar medidas que possam solucionar os problemas enfrentados pela população: “Com o decreto, produtores rurais poderão pedir prorrogação de financiamentos, entre outras medidas para amenizar suas perdas. Além disso, o documento também facilita o acesso aos recursos estadual e federal”.
Dados e previsões
O boletim mantém as previsões de que o déficit hídrico na bacia do Rio Uruguai vai diminuir, mas de uma forma menos otimista em relação a janeiro. O Índice Hidrológico aponta que episódios de falta de água podem ser registrados em fevereiro, março e julho,
mas que haverá, a longo prazo, uma estabilidade da situação hídrica na região Oeste, apesar do nível dos rios que compõem a bacia permanecerem numa média 25% menor que a normal no volume de água.
A previsão do tempo indica que para a semana do Carnaval, e até o dia 25, a passagem de frentes frias e atuação de cavados e instabilidades em vários níveis da atmosfera vão aumentar consideravelmente a chance de chuvas mais fortes e melhor distribuídas. A previsão trimestral até abril indica que o volume de chuva deve ficar de próximo a abaixo da média no Grande Oeste. (Diário do Iguaçu)



