A tarifa de energia deve continuar com a bandeira vermelha 2 até o fim do ano, segundo de agentes do mercado consultados pelo Broadcast Energia . Os cálculos levaram em consideração o prognóstico de custo elevado na geração de energia e cenário hidrológico desfavorável, aliados à perspectiva de aumento do consumo.
De acordo com projeções da Thymos Energia feitas a pedido do Broadcast Energia , a bandeira permanecerá em seu patamar mais elevado, atualmente em vigor, até dezembro. A perspectiva é de uma redução para a coloração amarela em janeiro de 2025, recuando à verde nos dois meses subsequentes.
“Com o início do período úmido, que deve se comportar dentro da média, o PLD [preço de liquidação das diferenças] volta a cair, o que reflete na bandeira”, avalia a diretora de Regulação e Estudos de Mercado da Thymos, Mayra Guimarães.
Por outro lado, se o período úmido a partir de novembro apresentar condições mais adversas, haverá pressão adicional sobre os reservatórios das usinas hidrelétricas do Brasil, o que pode pressionar ainda mais os preços da energia de curto prazo.
Setembro e outubro tiveram dois gatilhos para o acionamento da bandeira vermelha: o valor da energia elétrica (PLD) e o risco hidrológico (GSF), uma medida que indica quanto de fato cada hidrelétrica gera, a despeito de sua capacidade. São esses dois fatores que devem continuar puxando para bandeira mais cara até dezembro.
Os cenários traçados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) também apontam para a perspectiva de bandeira vermelha 2 até dezembro em três dos quatro estudos apresentados. Na visão mais otimista, o PLD poderia cair para R$ 296 por megawatt-hora (MWh) em dezembro, o que configuraria bandeia amarela.
As projeções da CCEE para 2025 apontam possibilidade maior de bandeira verde desde janeiro – indicada em três dos quatro cenários apresentados. No mais pessimista, o ano começaria em bandeira amarela, em janeiro e fevereiro, e retomaria a bandeira vermelha 1 em março. Em outra projeção apresentada pela Câmara de Comercialização, a bandeira vermelha seria acionada no ano que vem a partir de maio.
IPCA
A bandeira tarifária vermelha patamar 2 no mês de outubro de 2024 gera um custo adicional de R$ 7,877 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) utilizados pelos consumidores regulados do Brasil.
O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, em cálculos também feitos a pedido do Broadcast Energia , aponta que o impacto da bandeira vermelha no IPCA de outubro deve ser de 0,26 ponto porcentual.
Para os próximos meses, se a bandeira continuar no patamar vermelho 2, o efeito estatístico é nulo, já que o valor extra cobrado é único e já houve acionamento a partir deste dia 1º de outubro. Um novo choque na inflação a partir da bandeira tarifária só seria verificável se houvesse o acionamento da bandeira de escassez hídrica – mais cara que a bandeira vermelha 2. Isso é descartado, por ora.
Para outubro, a projeção da Austin Rating para a inflação cheia é de 0,51%. Em novembro, a variação estimada do IPCA deve ficar em 0,30%.



