“Estou viva, mas só eu sei as marcas que carrego dentro de mim”, desabafa Suelen Aparecida de Melo, de 32 anos, após ver o ex-companheiro ser condenado a 18 anos e 11 meses de prisão por tentativa de feminicídio. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (15), no Fórum da Comarca de Indaial, no Vale do Itajaí, e durou mais de 10 horas. A vítima, que ficou paraplégica após o ataque, acompanhou toda a sessão.
O crime aconteceu em 26 de fevereiro de 2024 e chocou a comunidade local pela brutalidade. Suelen foi surpreendida dentro de casa pelo ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento de 15 anos. Eles tiveram cinco filhos. Motivado por ciúmes, o homem, de 40 anos, invadiu a residência e desferiu pelo menos quatro facadas na vítima, na frente do filho mais velho do casal, de apenas 15 anos.
“Eu tinha medida protetiva contra ele, mas acabei tirando porque ele é o pai dos meus filhos. No fim, eu quem fiquei marcada para o resto da vida”, contou Suelen, em um alerta direto a outras mulheres que vivem em relacionamentos abusivos.
Durante o ataque, a mãe da vítima também tentou intervir, mas foi agredida. Suelen perdeu os movimentos das pernas e passou por cirurgias, ficando 13 dias internada na UTI. Hoje, vive com pensão por invalidez e cria os cinco filhos com ajuda de familiares. A casa onde mora, no bairro Warnow, precisou ser adaptada para sua nova condição física.
O caso remete à história de Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil, que também ficou paraplégica após uma tentativa de feminicídio.
Condenação
O réu, denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), foi preso no mesmo dia do crime, após fugir da cena do ataque. Desde então, estava detido preventivamente no Presídio Regional de Blumenau. A Promotora de Justiça Patrícia Castellem Strebe, responsável pela acusação, destacou que o crime teve clara motivação passional e reafirmou o compromisso do MP em garantir justiça às vítimas de violência doméstica.
“Assim como no caso de Maria da Penha, Suelen teve sua vida transformada por completo pela brutalidade de um homem que se recusava a aceitar o fim da relação”, afirmou a promotora.
Para a mãe da vítima, Rosângela de Melo, a sentença foi um alívio diante da dor vivida. “A saúde da minha filha, nós não teremos de volta, mas agradeço a Deus por ela estar viva e por ver o agressor pagando pelo que fez”, declarou.




