Do bloquinho de cobrador ao volante do caminhão: conheça a trajetória de quase 50 anos de seu Zé nas estradas de SC

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No tempo em que os cobradores circulavam pelos ônibus com prancheta e bloquinhos nas mãos, enfrentando solavancos que por vezes faziam voar moedas e papéis, José Hilário dos Santos Neto, o seu Zé, dava seus primeiros passos no Grupo Reunidas. Era 1975, e ele tinha apenas 18 anos. Hoje, aos 67, ainda segue firme na profissão, agora como motorista da Reunidas Cargas, empresa do grupo de Santa Catarina, que atua no transporte de encomendas.

Morador de Joaçaba, no Oeste, seu Zé guarda na memória os tempos em que atuava como cobrador, depois como manobrista na garagem da empresa, até finalmente, em 1982, realizar o sonho de assumir o volante. “Desde o começo eu pensava em ser motorista. Fui dando um passo de cada vez, aprendendo e esperando a oportunidade”, conta. O sonho virou realidade — e já dura mais de 40 anos.

Durante parte da carreira, seu Zé trabalhou com ônibus, mas nos últimos anos tem atuado apenas com os caminhões da empresa. Hoje, sua rota inclui municípios da região de Irani, entre o Oeste e Meio-Oeste do estado. O que mais o motiva, diz ele, é o contato com os clientes que acompanha há tantos anos.

“Não é só entrega. A gente cria laços. Tem clientes que eu conheço há décadas, viraram amigos. É uma relação de confiança, de fidelidade mesmo”, afirma.

José Hilário dos Santos Neto é motorista há quase 50 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Ao longo de quase cinco décadas, viu de perto a transformação das estradas, dos veículos e do trânsito. “As rodovias estão bem mais movimentadas, tem muito mais carros, e isso aumenta o risco de acidentes. Mas também evoluiu muita coisa. Os veículos de hoje são mais seguros, confortáveis, com ar-condicionado, freios melhores… é outra realidade”, analisa.

Para quem está começando na profissão, seu conselho é simples e direto: “Tem que persistir. Eu entrei como cobrador, até conseguir a vaga que queria. Se tem vontade e faz bem feito, uma hora a chance aparece. E aí é só seguir em frente”.

Neste 25 de julho, Dia do Motorista, histórias como a de seu Zé inspiram não só pela longevidade na profissão, mas pelo amor com que ele encara o trabalho. Mesmo aposentado, segue trabalhando. Mas agora com novos planos no horizonte. Aos poucos quer diminuir o ritmo para curtir mais a família, principalmente os netos. “A estrada me deu muito, mas também é bom aproveitar a calmaria”, finaliza.

Seu Zé nos dias atuais (Foto: Arquivo pessoal)
(Oeste Mais)