Trump autoriza uso das Forças Armadas contra cartéis de drogas da América Latina

Política

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem ao Pentágono para que passe a empregar força militar contra cartéis latino-americanos de drogas que seu governo classificou como organizações terroristas, segundo fontes especializadas.

A decisão de envolver diretamente as Forças Armadas na ofensiva representa, até agora, o passo mais agressivo da escalada do governo contra os cartéis. É um sinal de que Trump está disposto a usar meios militares para executar o que tradicionalmente é considerado tarefa da polícia: conter o fluxo de fentanil e outras drogas ilegais.

A ordem cria uma base oficial para possíveis operações militares diretas, tanto em alto-mar quanto em território estrangeiro, contra esses grupos.

Fontes afirmam que autoridades militares já começaram a elaborar opções para atuação das tropas, mas sob condição de anonimato.

Neste ano, Trump já havia enviado tropas da Guarda Nacional e militares da ativa para a fronteira sul, com a missão de barrar drogas e imigrantes, além de intensificar operações de vigilância e interceptação.

Trump determinou que o Departamento de Estado começasse a rotular cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras.

Ele tem mirado especialmente grupos da Venezuela e do México. Em fevereiro, o Departamento de Estado incluiu o Tren de Aragua, a Mara Salvatrucha (MS-13) e outras organizações na lista de terrorismo, alegando que representam “uma ameaça à segurança nacional além do crime organizado tradicional”.

Duas semanas atrás, o governo adicionou o Cartel de los Soles, da Venezuela, a uma lista de grupos terroristas globais especialmente designados, afirmando que ele é chefiado pelo presidente Nicolás Maduro e por outros altos funcionários do regime.

Na última quinta-feira, os Departamentos de Justiça e Estado anunciaram que o governo dos EUA dobrou, para US$ 50 milhões, a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro, acusado de tráfico de drogas. A procuradora-geral Pam Bondi afirmou que ele “não escapará da justiça e será responsabilizado por seus crimes desprezíveis”.

Questionada sobre a autorização presidencial para uso de força militar, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, disse por e-mail que “a prioridade número um do presidente Trump é proteger a pátria, por isso ele tomou a ousada decisão de designar vários cartéis e gangues como organizações terroristas estrangeiras”.

Ataques militares unilaterais contra cartéis representariam um salto na estratégia antidrogas, colocando tropas americanas na linha de frente contra organizações frequentemente bem armadas e financiadas.

Historicamente, operações militares antidrogas dos EUA na América Latina operaram no limite da lei — e, em geral, como apoio às forças policiais. Em 1989, por exemplo, o presidente George H. W. Bush enviou mais de 20 mil soldados ao Panamá para prender Manuel Noriega, acusado de tráfico. A ação foi condenada pela ONU como “violação flagrante do direito internacional”.

Nos anos 1990, militares ajudaram autoridades antidrogas da Colômbia e do Peru com informações de inteligência, mas a cooperação foi suspensa quando esses governos começaram a derrubar aeronaves civis suspeitas. O Congresso americano, mais tarde, alterou a lei para permitir esse tipo de apoio.

A Marinha também intercepta embarcações suspeitas em águas internacionais, mas normalmente sob comando da Guarda Costeira. A lei americana de 1878, o Posse Comitatus Act, proíbe o uso das Forças Armadas em funções de polícia dentro do país.

A nova ordem de Trump, porém, aponta para outro caminho: tropas americanas capturando diretamente envolvidos no tráfico.

Segundo o secretário de Estado e assessor de segurança nacional, Marco Rubio, classificar cartéis como terroristas permite aos EUA “usar outros instrumentos de poder — agências de inteligência, Departamento de Defesa, o que for — para atacar esses grupos quando houver oportunidade”.

Especialistas jurídicos destacam que, na lei americana, declarar um grupo “terrorista” autoriza congelar ativos e restringir movimentações.

Na campanha de 2024, Trump prometeu enviar forças especiais e navais para “declarar guerra aos cartéis”.

A ofensiva contra cartéis como organizações terroristas inclui grupos mexicanos e até gangues haitianas. Em abril, Trump propôs à presidente do México, Claudia Sheinbaum, que permitisse ação militar americana em território mexicano — proposta rejeitada.

Segundo o Departamento do Tesouro, o Cartel de los Soles coopera com o Tren de Aragua e com o Cartel de Sinaloa, do México, ameaçando “a paz e a segurança dos Estados Unidos”.

O combate a cartéis que traficam drogas, pessoas e outros ilícitos tem dominado parte da política externa e interna de Trump neste segundo mandato. Oficiais americanos confirmam que o país intensificou voos secretos de drones sobre o México para localizar laboratórios de fentanil — operação iniciada ainda no governo Biden, mas expandida por Trump e seu diretor da CIA, John Ratcliffe.

Até agora, esses drones não têm autorização para ataques letais. As informações coletadas são repassadas às autoridades mexicanas. (Infomoney)