Justiça revoga liminar em favor do vereador cassado Odair Gabrielli, em Catanduvas

Política

Catanduvas – Poucas horas após ter conseguido, através de liminar judicial, a reintegração ao cargo na Câmara de Catanduvas, o vereador Odair Gabrielli (PSD), o Shazam, sofreu um novo revés: a justiça da comarca local, em juízo de retratação, revogou integralmente a liminar concedida ao parlamentar cassado pelo legislativo, a qual havia sido anunciada por ele em suas redes sociais na última sexta-feira (15).

“Diante da interposição dos agravos de instrumento […], exerço o juízo de retratação em razão da fundamentação apresentada, e revogo integralmente a decisão proferida […]”, pontua a nova decisão proferida na tarde desta segunda-feira (18) e assinada pela juíza substituta Caroline Peressoni Porcher.

A decisão de revogação destaca que “a tutela de urgência foi concedida em decorrência da suposta extrapolação do prazo decadencial previsto no art. 5º, VII, do Decreto-Lei n. 201/1967, que tem início na data da notificação do acusado. Ocorre que este juízo foi induzido a erro pelo autor, que afirmou ter sido notificado em 30/04/2025 e indicou, com seta vermelha, assinatura no documento da notificação que comprovaria a alegação”, pontuou.

“Todavia, melhor analisando os autos, tem-se que o autor foi notificado do processo de cassação na data de 05/05/2025, conforme a certidão […]. Aliás, a segunda assinatura […], compatível com a assinatura do autor […], corrobora a data correta da notificação”, emendou a magistrada.

O caso

A Câmara de Vereadores de Catanduvas cassou, na tarde do dia 31 de julho, o mandato do vereador Odair José Gabrilelli, conhecido como Shazan, por quebra de decoro parlamentar. A decisão foi tomada após julgamento que mobilizou a comunidade e a imprensa local, marcando um dos momentos mais tensos da atual legislatura.

A sessão, iniciada às 14h, seguiu todos os ritos legais e durou toda a tarde. Ao final, por 6 votos a 3, os vereadores decidiram pela cassação do mandato. A decisão exigia maioria qualificada de dois terços do plenário – exatamente o número atingido.
A denúncia foi protocolada em 14 de abril pela vereadora Mônia Tonial Tortelli, após Shazan proferir ofensas contra ela durante uma reunião de comissões no dia 31 de março. No documento, Mônia solicitava a cassação do mandato do parlamentar e seu afastamento imediato da presidência da Casa Legislativa.
Duas comissões foram formadas para apuração dos fatos. A Comissão de Ética Parlamentar, presidida pelo vereador Marcelo de Andrades, opinou pelo prosseguimento da denúncia. Em seguida, a Comissão Processante, sob presidência do vereador Ivacir Moreira (Fio), conduziu o processo e concluiu que houve ofensa e constrangimento à denunciante. Mesmo assim, recomendou o arquivamento da denúncia, por entender que a cassação seria uma penalidade desproporcional.
Apesar do parecer da Comissão Processante e da manifestação do Ministério Público Eleitoral – que também opinou pelo arquivamento –, o plenário da Câmara decidiu acatar a denúncia, resultando na cassação do mandato de Shazan.