O delegado-geral de Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, se manifestou após a conclusão do inquérito que apurou as causas da queda do balão de ar quente em Praia Grande, sul do estado, no dia 21 de junho de 2025. Diferente do que apontou o delegado Rafael Chiara, responsável pelas investigações, Ulisses viu indícios para indiciar o piloto da aeronave por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).
Para justificar seu posicionamento, Gabriel elencou atitudes do piloto Elves de Bem Crescêncio que, na avaliação dele, contribuíram para o acidente. “Se eu presidisse as investigações, eu indiciaria por uma série de circunstâncias. A primeira delas é a ausência de habilitação do piloto. Mesmo que se trate de uma prática desportiva e não comercial, é necessário que se tenha a habilitação para a realização do voo. Em razão da ausência de habilitação, há aí uma situação que pode implicar em uma negligência. Isso causou a consequência que foi a queda do balão. Ou é uma imperícia”, analisou o delegado-geral.
Ao continuar sua avaliação, o delegado vê falha na atitude do piloto ao manusear o maçarico auxiliar e também em atos para tentar controlar a situação após o incêndio. Para Gabriel, o piloto deveria ser responsabilizado ainda por não verificar as condições do extintor que estava no cesto da aeronave.
“Ele não poderia ter jogado esse maçarico ao chão, porque muitas vezes o maçarico, mesmo depois de desligado, ainda continua uma propagação do fogo. Ele teria que ter tomado esse cuidado. Além disso, quando começou o fogo, ele deveria ter imediatamente utilizado o extintor de incêndio para apagar o fogo. Se ele não conseguiu utilizar o extintor ou se o extintor não estava funcionando, há uma responsabilidade também com relação a essa situação. Não foi porque não foi tomada uma providência que era para ter sido tomada no sentido de apagar o fogo”, destacou.
Por fim, o delegado-geral questionou atitudes do piloto do avião. Ele corrobora com os apontamentos feitos pelas famílias das vítimas, criticando a postura de Crescêncio de saltar do balão antes de todos os passageiros saírem e de não acionar um dispositivo que desinflaria a aeronave.
“Como delegado, eu teria feito indiciamento pelos homicídios culposos de 8 pessoas e pelas lesões corporais culposas de 12 pessoas que acabaram se machucando no decorrer do acidente”, ratificou.
Delegado-geral não questiona decisão de Chiara
Ao ser questionado sobre a decisão do delegado Rafael Chiara, Gabriel adotou discurso cauteloso. “Como delegado-geral, eu entendo que cada delegado ou autoridade policial tem autonomia e um livre convencimento fundamentado de acordo com a lei. Ele tem o direito de indiciar ou não indiciar”, frisou.
“Como cidadão, eu discordo veementemente da situação. Me colocando no lugar das vítimas sobreviventes e dos familiares das vítimas que acabaram morrendo, eu estaria indignado diante dessa situação”, completou.
A defesa de Elves de Bem Crescêncio afirmou que não irá se manifestar enquanto o processo estiver em segredo de Justiça. O delegado Rafael Chiara está em férias. Procurado pela reportagem, ele informou que está em viagem. Ao concluir o inquérito, ele não viu provas suficientes para apontar culpados pela tragédia. As informações são do Engeplus.


