Comando Vermelho sabota rede de gás para impor venda de botijões superfaturados no Rio

Política

Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou nesta sexta-feira (28) uma operação no Complexo do Lins, na zona norte da capital, para desmontar um esquema ilegal de venda de gás comandado pelo Comando Vermelho (CV). Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em um depósito ligado à facção e encontraram 700 botijões armazenados no local.

Facção sabotou rede de gás para monopolizar venda

As investigações revelaram que criminosos interferiram deliberadamente no fornecimento de gás encanado, danificando a rede para impedir o abastecimento normal. Com isso, moradores eram obrigados a comprar botijões exclusivamente em um ponto controlado pelo CV — e por preços muito acima do mercado.

Segundo a Polícia Civil:
Os narcoterroristas do Comando Vermelho danificaram e interromperam o fornecimento regular de gás encanado na região para obrigar os moradores a comprar o insumo a preço acima do mercado.”

Enquanto o valor médio em bairros próximos gira em torno de R$ 100, o grupo vendia cada botijão por R$ 300, triplicando o preço.

Depósito operava sem restrições e repassava dinheiro ao CV

A polícia afirma que o estabelecimento atuava de forma exclusiva, recebendo proteção da facção e efetuando repasses financeiros a seus integrantes. No local, além da venda de gás, havia envolvimento em outras atividades ilícitas, como ocultação de veículos roubadostransbordo de cargas furtadas e tráfico de drogas.

Durante a investigação, uma concessionária relatou que seus técnicos foram ameaçados ao tentar reparar a rede de gás. Distribuidoras de botijões também evitaram a região pelo mesmo motivo. Apesar disso, o depósito associado ao CV funcionava normalmente — fato que reforçou a suspeita de controle territorial.

Operação mira estrutura financeira da facção

A ação integra a Operação Contenção, iniciada em 28 de outubro, cujo objetivo é enfraquecer organizações criminosas atingindo suas bases logísticas e financeiras.

Desde o começo da ofensiva, a Polícia Civil já:

  • prendeu mais de 250 criminosos;
  • apreendeu 460 armas, incluindo 189 fuzis;
  • recolheu mais de 50 mil munições.

Na data de lançamento da operação, houve forte confronto, com 121 mortes, entre elas cinco policiais, segundo balanço oficial.