Aos 97 anos, Dona Lavínia Bittencourt Merlo segue conduzindo sua própria rotina no bairro Santa Terezinha, em Gaspar, com a mesma determinação de sempre — e ao volante de um Chevette ano 1980. Moradora da cidade há 73 anos, ela mantém o carro que comprou há mais de quatro décadas como símbolo de independência e autonomia, valores que preserva até hoje.
Dona Lavínia chegou a Gaspar ainda jovem, quando a filha mais velha tinha apenas oito meses. Ao lado do marido, construiu a casa no terreno da família e criou oito filhos, além de netos, bisnetos e quatro tataranetos. Viúva desde 1977, começou a dirigir aos 44 anos, quando a família trocou um caminhão usado no engenho de farinha por um Chevette novinho, marco que representou o início de sua liberdade pessoal.
Com bom humor, ela relembra que aprender a dirigir foi mais fácil do que andar de bicicleta, algo que nunca conseguiu. A habilitação veio antes mesmo da prática, concedida pela confiança do delegado da época. Sua primeira experiência ao volante aconteceu com o auxílio de um dos filhos, que apenas explicou a ordem das marchas.
Durante muitos anos, Dona Lavínia dirigiu entre Gaspar, Brusque e Blumenau. Atualmente, restringe seus trajetos ao município e apenas durante o dia. A carteira de motorista vence quando ela completar 98 anos, e ainda não há definição sobre a renovação.
Mesmo diante da preocupação de alguns familiares, foi um neto quem defendeu sua autonomia, reforçando que responsabilidade não tem idade. Hoje, a rotina inclui igreja, banco, farmácia e compromissos essenciais. Lúcida, ativa e determinada, Dona Lavínia resume sua história com simplicidade: dirigir sempre foi natural para ela — e continua sendo fonte de felicidade.


