Governo Lula já admite possível retorno da taxa das blusinhas caso mercado “apresente distorções”

Política

A suspensão do imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 pode não ser definitiva. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu nesta quinta-feira, 21, que a chamada taxa das blusinhas poderá voltar a ser cobrada caso o governo identifique desequilíbrios no mercado após a eliminação da alíquota.

A cobrança foi zerada por Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. A alíquota havia sido instituída em agosto de 2024, com aval do Congresso Nacional, e incidia sobre mercadorias importadas de baixo valor.

Caráter regulatório permite reativação sem nova lei

Conforme publicou o Estadão, Durigan ressaltou que o formato regulatório do tributo é justamente o que viabiliza sua eventual reintrodução sem necessidade de nova aprovação legislativa. Nas palavras do ministro: “A medida é regulatória, portanto, ela foi zerada nesse momento, havendo permissão para que o Ministério da Fazenda acompanhe a evolução. Caso haja algum desarranjo, um avanço disso, é preciso avaliar e trazer isso a debate público e, eventualmente, trazer de volta essa taxa”.

O titular da pasta destacou ainda que o presidente Lula sempre demonstrou resistência em relação ao tributo, mas que a MP foi redigida de modo a preservar a prerrogativa do Ministério da Fazenda de restabelecê-lo. A movimentação ganha relevância adicional por ocorrer a poucos meses das eleições presidenciais de outubro.

Inadimplência no agronegócio preocupa a Fazenda

Outro tema tratado por Durigan na mesma ocasião foi a situação financeira do setor rural. De acordo com o ministro, a inadimplência do agronegócio saltou de um patamar histórico de cerca de 2% para 6% — índice que ele considera preocupante, ainda que 94% das operações permaneçam adimplentes.

O ministro se posicionou de forma contrária a uma renegociação generalizada das dívidas rurais, argumentando que o benefício deve ser direcionado exclusivamente a produtores em situação de inadimplência comprovada. “Nós podemos criar um problema de restrição de crédito”, alertou Durigan, ao criticar a hipótese debatida no Senado de impor um teto de juros entre 10% e 12% para todo o agronegócio — medida que, segundo ele, provocaria retração na oferta de crédito ao setor.

Proposta do governo para o crédito rural

A estratégia desenhada pela Fazenda inclui extensão de prazos de pagamento, ajustes no manual de crédito agrícola e revisão das carências, mas sem ampliar o alcance do projeto para além dos casos efetivamente inadimplentes.

Durigan afirmou que “a gente vai construir uma saída, junto com o agro, para que a gente dê um passo melhor, não só um passo que a gente queira fazer uma coisa mais ampla, talvez fosse mais simbólica, mais forte politicamente, mas que não gerasse os efeitos esperados por ele, inclusive”.

 

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