A decisão do governo dos Estados Unidos de reclassificar as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas já está gerando consequências práticas. Segundo a desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), informações obtidas por meio de redes de inteligência e contrainteligência indicam que o preço da cocaína subiu desde o anúncio da medida.
Em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (29), a magistrada detalhou o cenário. “Nas trocas de informações, da inteligência e da contrainteligência, a investigação não para, já sabemos que o preço da cocaína subiu. Quanto mais dificuldade, obviamente, a droga vai ficando mais cara”, explicou Ivana.
Desembargadora não vê vantagens na decisão norte-americana
A medida do governo Trump só passará a valer oficialmente a partir do dia 5 de junho, mas a desembargadora afirmou que, até o momento, não conseguiu vislumbrar nenhuma vantagem na decisão. Para ela, a iniciativa pode seguir o mesmo padrão que a administração Trump tem adotado em relação a outros países da América do Sul, sem levar em conta possíveis riscos à segurança dos cidadãos e do próprio país envolvido.
Combate ao terrorismo e o legado do 11 de Setembro
Ivana David também contextualizou a postura norte-americana. Ela explicou que o combate ao terrorismo pelos EUA se intensificou após os atentados contra as Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001. A partir daquele marco, Washington passou a assumir um papel global de intervenção em questões de segurança.
“A partir daquele momento, aquilo foi o ponto que os Estados Unidos chamou a si esse poder de resolver, ou se envolver na segurança do mundo, ou na insegurança do mundo, para garantir a sua segurança nacional e isso nos causa a maior aflição”, completou a desembargadora.
PCC e CV na mesma lista que Hamas e Al Qaeda
Com a reclassificação, as duas maiores facções criminosas do Brasil passarão a integrar a mesma lista que inclui grupos como Hamas e Al Qaeda. A decisão gerou reações diversas no cenário político brasileiro, com o governo Lula classificando a medida como “inaceitável” e críticos apontando possíveis desdobramentos, como bloqueios financeiros e sanções que poderiam afetar figuras ligadas às organizações.



