A China passará a aplicar uma taxa extra de 55% sobre a importação de carne bovina que exceder os limites anuais por país. O Brasil está muito perto de atingir o seu teto regulamentar. Até o final de junho, o país já havia preenchido 98,5% de sua cota de 1,106 milhão de toneladas.
Segundo a consultoria StoneX, a estimativa é que o limite restante seja esgotado em agosto, considerando o tempo de viagem dos navios. A partir desse ponto, os novos embarques pagarão 67% de tarifa total, o que inviabiliza o comércio com o maior comprador do produto brasileiro.
O mercado chinês responde por 52% das exportações brasileiras do setor. No ano passado, o Brasil enviou 1,68 milhão de toneladas para lá. Com a nova regra, cerca de 580 mil toneladas anuais que antes iam para a China terão de buscar o mercado interno ou outros países parceiros.
A Abiec projeta que o volume total de exportações de carne bovina do país pode sofrer uma queda de até 10% na comparação anual. Essa retração representa um impacto financeiro estimado em até 3 bilhões de dólares, o que equivale a cerca de 16,5 bilhões de reais a menos no setor.
Mesmo antes do fim da cota, frigoríficos já iniciaram férias coletivas e suspenderam linhas de produção voltadas à China. A maior oferta interna de proteína gera uma tendência de queda nos preços pagos aos pecuaristas, alterando o ritmo da cadeia produtiva nacional.
O cenário se soma a um período de fragilidade financeira no campo. Dados da Serasa Experian apontam que a inadimplência entre os produtores rurais atingiu o recorde de 8,1% no segundo trimestre de 2025, indicando dificuldades anteriores ao atual aperto comercial chinês.
A nova regra foi implementada em janeiro deste ano e, diferentemente do tarifaço proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não teve alarde, nem ampla divulgação por parte da imprensa.





