Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Igarapé nesta quarta-feira, 15, colocou o Primeiro Comando da Capital (PCC) no topo de um levantamento que avalia o grau de ameaça representado pelas principais organizações criminosas com presença nas Américas. A facção brasileira superou rivais de peso, como o Comando Vermelho (CV), sediado no Rio de Janeiro, e os temidos cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nueva Generación (CJNG).
Metodologia do levantamento
A classificação levou em conta critérios como tamanho de cada grupo, alcance territorial, diversidade de fontes de receita, capacidade de coordenar ações criminosas e resiliência organizacional diante de prisões ou morte de lideranças. Os pesquisadores, porém, ressaltam que o ranking não pretende funcionar como uma lista definitiva das maiores facções do continente.
“O ranking deve ser compreendido como uma avaliação comparativa de ameaças, e não como uma tabela de classificação precisa”, afirmam os autores do estudo.
Do presídio paulista à atuação global
Fundado na década de 1990 dentro do sistema prisional do Estado de São Paulo, o PCC expandiu sua atuação a ponto de estar presente em todo o território nacional e em diversos países. De acordo com o estudo, a facção conta com um contingente estimado entre 30 mil e 40 mil integrantes e possui presença documentada em nações da América do Sul, além de manter conexões operacionais na Europa e na África.
Estrutura e capacidade operacional
O que diferencia o PCC das demais organizações analisadas é sua estrutura descentralizada e sua habilidade para operar simultaneamente em múltiplos mercados criminais. Essa versatilidade é apontada pelo levantamento como um dos fatores que conferem à facção brasileira o posto de principal ameaça entre os grupos avaliados.
O estudo acadêmico
O trabalho publicado pelo Instituto Igarapé recebeu o título “From Narco Cartels to Criminal Networks: The Structural Transformation of Organized Crime in Latin America and the Caribbean” — em português, “De Cartéis de Narcotráfico a Redes Criminosas: A Transformação Estrutural do Crime Organizado na América Latina e no Caribe”. As informações foram repercutidas pelo blog da jornalista Adriana De Luca, no site da CNN Brasil.





