Treze Tílias é destaque em reportagem especial do Canal Rural

Política

Apelidos costumam nascer na boca dos visitantes, e nem sempre combinam com o que os moradores querem ser. Em Treze Tílias, no meio-oeste de Santa Catarina, a cidade é chamada de Áustria Brasileira e de Tirol Brasileiro, mas quando pôde ganhar um título oficial ligado à origem austríaca, preferiu continuar sendo conhecida pelo que suas famílias fazem com as mãos.

Como as famílias tirolesas chegaram ao meio-oeste catarinense?

Elas vieram fugindo da crise que atingiu a Áustria depois da Primeira Guerra. Em 13 de outubro de 1933, o então ministro da Agricultura austríaco Andreas Thaler chegou à região do Vale do Rio do Peixe com um primeiro grupo de famílias vindas sobretudo do Tirol, para abrir lavouras em terras de mata e araucária.

A colônia recebeu o nome de Dreizehnlinden, inspirado no poema de mesmo nome do alemão Friedrich Wilhelm Weber, que em português virou Treze Tílias. Outras famílias chegaram nos anos seguintes, e a vila cresceu até se emancipar em 1963, mantendo o dialeto, a música e a arquitetura que os pioneiros trouxeram dos Alpes. Hoje, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 8.787 moradores.

Treze Tílias, Santa Catarina, reúne arquitetura alpina, jardins e paisagens rurais //
Treze Tílias, Santa Catarina, reúne arquitetura alpina, jardins e paisagens rurais // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Alguns números ajudam a medir a trajetória da antiga colônia:

Título oficial

2002
Ano da lei estadual que reconheceu a cidade como capital dos escultores em madeira.
Moradores

8.787
População registrada no Censo 2022, contra cerca de 6,3 mil em 2010.
Inverno

8°C
Mínima média de julho, o mês mais frio do ano na cidade.

Por que a cidade prefere ser a capital dos escultores?

Porque o título conquistado antes diz mais sobre quem vive ali. Desde 2002, uma lei estadual reconhece Treze Tílias como Capital Catarinense dos Escultores e das Esculturas em Madeira. Em 2024, um projeto na Assembleia Legislativa de Santa Catarina propôs chamá-la oficialmente de “Cidade mais Austríaca de Santa Catarina”, mas a prefeitura se manifestou contra, a lei estadual veda mais de um título por município, e a Comissão de Constituição e Justiça considerou a proposta inadmissível.

A escolha faz sentido quando se olha a história. Logo no início da colônia, Andreas Thaler encomendou ao irmão, Georg Thaler, um presépio para a primeira capela; em 1935 chegou o escultor Josef Moser, e as famílias Thaler e Moser passaram o ofício de geração em geração. Hoje, ateliês da cidade produzem arte sacra e peças em madeira para igrejas e instituições de outras partes do país.

Treze Tílias, Santa Catarina, chama atenção pela herança austríaca //
Treze Tílias, Santa Catarina, chama atenção pela herança austríaca // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que fazer no Tirol Brasileiro além de olhar as fachadas?

O centro é compacto e pode ser percorrido a pé, entre casas com sacadas floridas, telhados inclinados e detalhes em madeira. A experiência fica completa quando o visitante entra nos ateliês, prova a cozinha austríaca e conversa com moradores que ainda usam o dialeto dos avós.

Nos fins de semana, a cidade também atrai famílias da região em busca de áreas verdes e cafés coloniais.

Passeios e sabores da Áustria Brasileira

Entre praças, ateliês e mesas fartas, estes programas resumem a viagem:

  • Praça Andreas Thaler: centro da cidade, com cascata, jardins e prédios em estilo tirolês ao redor.
  • Ateliês de escultura: oficinas abertas à visitação, onde é possível ver o entalhe da madeira de perto.
  • Parque Lindendorf: área verde de cerca de 45 mil m², com lago, animais e opções de alimentação.
  • Tirolerfest: festa de outubro que celebra a imigração com música, danças e trajes típicos.
  • Cozinha austríaca: schnitzel, strudel e embutidos servidos em restaurantes e cafés do centro.

A história da imigração austríaca e as tradições de Treze Tílias ganham destaque neste vídeo do canal Rolê Família, que apresenta características culturais e atrações da cidade catarinense:

Como se preparar para a viagem a Treze Tílias

A cidade fica no interior do estado, e o caminho mais usado parte de Joaçaba ou de Videira, pelas rodovias SC-303 e SC-454; quem vem do litoral pode seguir pela BR-470 até Campos Novos e continuar por Tangará e Ibicaré. As estradas da região têm curvas e trechos de serra, então vale viajar com luz do dia, sobretudo em dias de neblina ou chuva.

Na mala, casaco e roupas em camadas são indispensáveis: mesmo no verão as noites ficam frescas, e no inverno as mínimas médias descem para perto de 8°C. Como chove em todas as estações, um guarda-chuva também ajuda, e cada época do ano muda bastante o tipo de passeio mais agradável.

Qual é a melhor época para visitar Treze Tílias?

Para quem busca frio, lareira e clima de vila alpina, junho a agosto é a temporada mais procurada, com máximas perto de 18°C. Em outubro, a Tirolerfest movimenta a cidade, mas o mês também é dos mais chuvosos, com média acima de 210 mm, enquanto o verão traz dias amenos para caminhar pelo centro.

Treze Tílias em cada estação

Cada período do ano muda a temperatura, a chuva e o ritmo dos passeios:

🌧️Verão
Dezembro a fevereiro16°C a 25°C

Período mais chuvoso
Dias amenos e pancadas frequentes; noites frescas para jantar ao ar livre.
🌿VILA VERDE
🍂Outono
Março a maio10°C a 24°C

Chuva moderada
A temperatura cai mês a mês e as manhãs de maio pedem casaco.
🧥FRIO CHEGANDO
❄️Inverno
Junho a agosto8°C a 20°C

Temporada de frio
Madrugadas geladas e tardes amenas, clima que combina com a cozinha austríaca.
🔥CLIMA ALPINO
🌦️Primavera
Setembro a novembro11°C a 24°C

Chuva em alta
Jardins floridos e chuvas fortes em setembro e outubro, mês da Tirolerfest.
🎶TIROLERFEST

Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do Climatempo para Treze Tílias.

Uma cidade que escolheu o próprio apelido

Treze Tílias poderia ter ficado apenas com o rótulo de pedaço da Áustria no Brasil, mas escolheu ser lembrada pelo trabalho que suas famílias mantêm vivo há quase um século. A madeira entalhada conta a mesma história que as fachadas e o dialeto, só que com as mãos.

Você precisa subir ao meio-oeste catarinense numa tarde fria, entrar num ateliê de escultura e entender por que a Áustria Brasileira prefere ser chamada de capital dos escultores. (Canal Rural)

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