Imposto do Pecado: governo define sobretaxa para cerveja, cigarros e carros em 2027

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O governo federal definiu as novas alíquotas do chamado Imposto do Pecado, nome popular do Imposto Seletivo, criado pela reforma tributária para incidir sobre produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. As novas regras foram estabelecidas por meio da Medida Provisória nº 1.399/2026, publicada na quarta-feira (4).

A medida prevê tributação sobre bebidas alcoólicas, cigarros, bebidas açucaradas e determinados veículos, entre outros produtos. A cobrança está prevista para começar em 2 de fevereiro de 2027, respeitando o prazo constitucional de 90 dias após a publicação da norma.

Cerveja, vinhos e destilados terão alíquotas diferentes

Entre as bebidas alcoólicas, a tributação será diferenciada conforme o tipo de produto.

Confira algumas das alíquotas previstas para 2027:

  • Cervejas de malte: 4,2%;
  • Vinhos comuns: 8%;
  • Vermutes: 12%;
  • Vinhos do Porto, Madeira e Xerez: 16%;
  • Cachaça e determinados destilados de cana: 20%;
  • Uísque, vodca e gin: 24%.

As bebidas açucaradas, incluindo determinados refrigerantes, terão alíquota de 2,6%.

Os percentuais fazem parte das regras de transição do novo sistema tributário e não representam necessariamente o aumento equivalente no preço final dos produtos.

Cigarros terão tributação de até 66,7%

O setor de tabaco terá uma das maiores alíquotas previstas pelo novo imposto.

Para cigarros e cigarrilhas enquadrados na medida provisória, a cobrança será de 66,7%, além de uma parcela adicional de R$ 3,50 por vintena, correspondente a 20 unidades.

A tributação também alcançará outros produtos fumígenos, com alíquotas específicas.

A justificativa do governo é utilizar o Imposto Seletivo como instrumento para desestimular o consumo de produtos considerados prejudiciais à saúde.

Como ficará o imposto sobre carros?

Os automóveis também estarão sujeitos ao Imposto Seletivo. Para veículos de passageiros, a medida estabelece uma alíquota-base de 6,3%, com ajustes conforme as características de cada modelo.

Entre os critérios considerados estão:

  • Tipo de motorização;
  • Eficiência energética;
  • Potência do veículo;
  • Segurança;
  • Reciclabilidade.

Veículos movidos exclusivamente a gasolina ou diesel poderão ter acréscimos na tributação. Já determinados modelos elétricos e híbridos poderão receber reduções.

A medida também prevê benefícios fiscais para veículos que atendam a requisitos específicos de sustentabilidade e para determinadas categorias de compradores, como pessoas com deficiência e taxistas.

Portanto, a alíquota-base não significa que todos os carros terão exatamente a mesma tributação.

Quando o Imposto do Pecado começa a ser cobrado?

A cobrança está prevista para começar em 2 de fevereiro de 2027. O prazo considera a chamada noventena, regra constitucional que exige um intervalo mínimo de 90 dias para a entrada em vigor de determinados tributos.

As alíquotas estabelecidas pela medida provisória são transitórias e valem para 2027.

O governo deverá encaminhar ao Congresso Nacional, até 31 de maio de 2027, uma proposta com as alíquotas definitivas previstas para entrar em vigor em 2028.

A medida provisória ainda precisa passar pela análise do Congresso, onde poderá sofrer alterações durante a tramitação.

Governo prevê arrecadação bilionária

A expectativa do governo é arrecadar aproximadamente R$ 41,9 bilhões com o Imposto Seletivo em 2027.

Além do objetivo de arrecadação, o Executivo argumenta que o tributo pretende desestimular o consumo de produtos que possam provocar danos à saúde ou ao meio ambiente.

Entretanto, a mudança também levanta preocupações sobre os possíveis reflexos nos preços, na produção e no orçamento das famílias brasileiras.

Com a chegada de 2027, consumidores e empresas precisarão acompanhar como as novas regras serão aplicadas e quais serão os efeitos da tributação sobre os produtos atingidos.

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