Nos primeiros cinco meses desse ano, a Receita Federal apreendeu um volume de cocaína quase 150% maior do que no mesmo período do ano passado. Foram 21 toneladas e a maior parte recolhida em São Paulo, segundo os dados que a Globonews obteve por meio da Lei de Acesso à Informação.
Entre as possíveis explicações para um aumento tão expressivo dessas apreensões está uma mudança de procedimento da receita no porto de Paranaguá, por exemplo. Quem mostra é Wilson Kirsche.
Era uma máquina a serviço do tráfico. Os agentes encontraram mais de 800 quilos de cocaína escondidos num braço da escavadeira. A droga ia para Roterdã, na Holanda.
O esquema foi descoberto por um scanner, instalado em um túnel. É um raio-x que mostra detalhes das cargas, principalmente dentro dos contêineres. O porto de Paranaguá, no Paraná, é o terceiro maior do país e todos os caminhões que entram têm de passar por esse tipo de fiscalização.
Os contêineres ficam no local, em média, cinco dias, à espera do embarque. É nesse intervalo que agem as quadrilhas. Trabalhadores aliciados pelos traficantes rompem os lacres e põem a droga dentro, misturada com a carga.
Mas a Receita Federal já percebeu a jogada e armou um contra-ataque. Agora, os fiscais passam de novo pelo scanner todos os contêineres que vão para a Europa, principal rota usada pelas quadrilhas. E aí eles comparam as imagens da primeira com a segunda vistoria – um “antes e depois”.




