Investigação sobre operação que cumpriu mandados em Xanxerê iniciou ainda em 2018

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Xanxerê – De acordo com nota divulgada pelo Ministério Público Federal, a investigação da operação que cumpriu vários mandados nesta terça-feira, dia 24, nos municípios de Xanxerê e Florianópolis, foi iniciada ainda em março de 2018 no MPF em Chapecó, a partir de denúncias de irregularidades envolvendo a aquisição de órteses e próteses para utilização em pacientes do SUS no Hospital Regional São Paulo (HRSP) de Xanxerê.

Segundo o MPF, as diligências realizadas confirmaram a irregularidade, resultando na instauração de um inquérito pela Polícia Federal. A investigação identificou um esquema de pagamento de propinas, especialmente para um médico, bem como de possível utilização indevida de órteses e próteses em pacientes.

São investigados pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, um médico e membros da administração do hospital, além do administrador da empresa que atualmente representa o fornecedor de órteses e próteses da unidade de saúde, informou o MPF.

No total, 46 policiais federais, com apoio de cinco servidores da Controladoria Geral da União, cumpriram mandados de busca e apreensão em hospital, consultórios médicos, empresas e residências dos investigados, sendo sete em Xanxerê e dois em Florianópolis. A operação foi intitulada de “Arritmia”.

Indisponibilidade de bens

A 1ª Vara Federal de Chapecó, além das medidas de busca e apreensão no hospital e nas residências, consultório, clínica e empresa dos envolvidos, determinou também o afastamento cautelar do médico das funções de coordenação/gestão do hospital, bem como a indisponibilidade de bens e ativos financeiros dos investigados, que reunidos chegam a cerca de R$ 4,2 milhões, segundo o MPF.

A unidade de saúde informou por meio de nota que a PF coletou informações e documentos na instituição. “A direção do HRSP está tranquila e informa que colabora, desde o início da operação, com o trabalho da polícia, com o intuito de que sejam apurados os fatos da denúncia o mais breve possível. Reforçamos à toda a população que os trabalhos de assistência à saúde não serão afetados e seguem regularmente”, disse o texto.

Operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão em Xanxerê (Foto: Fernanda Moro/NSC TV)

Esquema

Segundo a PF, as investigações apontam indícios de envolvimento de fornecedores de próteses e profissionais da área da saúde. No esquema, os fornecedores eram escolhidos por médico e diretores do hospital de acordo com os benefícios pessoais.

“Consistiam no recebimento de valores em dinheiro, no patrocínio de viagens e/ou formalização de contratos fictícios de prestação de serviços de consultoria, utilizados para dissimular os pagamentos ilícitos”, informou a PF.

“Há, ainda, indícios de que a fila de cirurgias do SUS estaria sendo fraudada pelos envolvidos”, disse a polícia. Os nomes dos profissionais não foram divulgados. (Com informações do G1)