25 anos do 11 de setembro: conheça a história do “Homem em Queda”

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Vinte e cinco anos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, Gwen Briley-Strand, irmã de Jonathan Briley, apontado como o homem retratado na famosa fotografia conhecida como “Falling Man”, ou “Homem em Queda”, relembrou a história do irmão e os acontecimentos ligados à tentativa de identificar a pessoa registrada na imagem que percorreu o mundo. As informações são do Daily Mail.

A imagem foi registrada pelo fotógrafo Richard Drew, enquanto ele cobria um desfile de moda. Após os ataques, ele seguiu para o local para acompanhar os acontecimentos.

No dia seguinte, a fotografia foi publicada por jornais de vários países. Mas, com o passar do tempo, a fotografia deixou de aparecer com tanta frequência nas notícias. Anos depois, voltou a ser discutida por causa das tentativas de descobrir quem era o homem retratado.

Na época, um repórter de um jornal canadense tentou identificar a pessoa que aparecia na fotografia. A imagem foi ampliada e comparada com cartazes de pessoas desaparecidas em Nova York.

Foram analisados detalhes como altura, cabelo, possível barba e roupas. O homem parecia usar um casaco parecido com o uniforme dos funcionários do restaurante Windows on the World, que funcionava nos 106º e 107º andares da Torre Norte do World Trade Center. Nenhum funcionário ou cliente que estava no restaurante sobreviveu aos ataques.

Um dos nomes considerados foi o de Norberto Hernandez, de 42 anos, confeiteiro do Windows on the World. Ele tinha cerca de 1,88 metro de altura. A fotografia foi mostrada à irmã dele, que acreditou que o homem retratado era Hernandez.

A família, porém, rejeitou essa possibilidade. Por ser católica e religiosa, acreditava que uma pessoa que tivesse pulado da torre teria cometido suicídio e, por isso, não poderia ser Hernandez.

Novas pistas
Anos depois, o jornalista Tom Junod, da revista Esquire, retomou a investigação. Foi durante esse trabalho que a figura passou a ser conhecida como “Falling Man”, ou “homem em queda” em português.

Junod descobriu que a câmera de Richard Drew havia registrado cerca de 12 imagens em sequência. Em uma delas, a camisa do homem havia se levantado e deixado à mostra uma camiseta laranja por baixo.

A descoberta afastou a possibilidade de que fosse Hernandez, que, segundo a investigação, não usava uma camiseta dessa cor.

Entre os nomes analisados estava Jonathan Briley, de 43 anos, que trabalhava como engenheiro de som no Windows on the World. Ele tinha cerca de 1,96 metro de altura, usava tênis pretos de cano alto e costumava vestir uma camiseta laranja por baixo da roupa de trabalho.

As roupas que Jonathan usava no dia dos ataques, porém, nunca permitiram confirmar definitivamente essa hipótese. Depois da morte dele, a viúva guardou as peças, mas não foi possível saber se Jonathan estava usando a camiseta laranja naquela manhã.

Quem era Jonathan Briley
A irmã de Briley contou ao Daily Mail que o irmão tinha asma e que, por isso, teria sido rapidamente afetado pela fumaça dentro da torre.

Há momentos em que parece que se passaram 25 anos, mas, em outros, parece que foi ontem. É uma onda de luto. Alguns anos são melhores que outros.Gwen Briley-Strand, irmã de Jonathan Briley ao Daily Mail.
Jonathan também era muito religioso. Seis meses antes dos ataques, havia se tornado diácono e ajudava o pai, que era pastor batista.

Ele cresceu tocando música gospel no piano e aprendeu sozinho a tocar guitarra. Depois de se formar pela Universidade de Nova York, trabalhou como engenheiro de som para as redes Hilton e Marriott e também no Windows on the World.

Lower Manhattan tomada pela fumaça no dia 11 de setembro de 2001
Julien Maculan/Unsplash

Lower Manhattan tomada pela fumaça no dia 11 de setembro de 2001

Segundo Gwen, Jonathan gostava especialmente da vista do restaurante nas primeiras horas da manhã, quando podia observar o nascer do sol.

Uma semana antes dos ataques, Jonathan decidiu fazer uma viagem de última hora com Gwen e o marido dela para a Flórida. Foi a última vez que os irmãos estiveram juntos.

Foi um presente de Deus podermos passar aquele tempo juntos.Gwen Briley-Strand, irmã de Jonathan Briley ao Daily Mail.

 

Segundo Briley-Strand, os três ficaram perto do oceano, acordavam, tomavam café com Kahlúa e assistiam ao nascer do sol. Jonathan voltou para Nova York em 08 de setembro. Três dias depois, os ataques atingiram o World Trade Center.

Antigo complexo do World Trade Center, em Nova York, com as Torres Gêmeas (Torre Norte, à esquerda, e Torre Sul, à direita)

Tomas Martinez/Unsplash

Antigo complexo do World Trade Center, em Nova York, com as Torres Gêmeas (Torre Norte, à esquerda, e Torre Sul, à direita)

A fotografia e a família

Gwen afirma que já viu a fotografia do “Falling Man”, mas que atualmente não costuma olhar para ela.

A irmã também lembra que a discussão sobre a identidade do homem causou sofrimento entre famílias que tentavam descobrir se aquela pessoa poderia ser algum parente desaparecido.

Sobre o irmão, Gwen disse que nunca se concentrou em provar definitivamente se Jonathan era o homem da fotografia. Para ela, descobrir quem aparece na fotografia não é o ponto principal da imagem.

Acredito que ele representava todas aquelas quase 3 mil pessoas que tiveram de passar por aquele dia horrível de 11 de setembro.Gwen Briley-Strand, irmã de Jonathan Briley ao Daily Mail.

 

Jonathan era o terceiro de cinco irmãos. Entre eles está Alex Briley, integrante original do grupo Village People, conhecido por se apresentar vestido de soldado.

Gwen lembra o irmão como alguém gentil, interessado em pessoas e tecnologia. A mãe costumava brincar que Jonathan tinha “pernas ocas” porque comia muito durante o Dia de Ação de Graças.

A irmã também recorda que, na época em que Jonathan morreu, os contatos eram feitos por pager, aparelho usado para receber mensagens antes da popularização dos celulares.

Ele teria simplesmente amado os telefones que temos hoje. Ele estava sempre por dentro da tecnologia e teria adorado ver o quanto avançamos nesses 25 anos.Gwen Briley-Strand, irmã de Jonathan Briley ao Daily Mail.
Atualmente, a fotografia está na coleção particular do cantor e colecionador Sir Elton John. Sobre a imagem, ele já afirmou: “É a imagem mais bonita de algo tão trágico” e a classificou como “provavelmente uma das fotografias mais perfeitas já tiradas”. (Portal IG)

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