Caso Bernardo: Pai do menino é novamente condenado em segundo julgamento

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O médico Leandro Boldrini foi novamente condenado hoje por homicídio quadruplamente qualificado por participação na morte do próprio filho, Bernardo Boldrini, em abril de 2014. Na época, o menino tinha 11 anos. Ele também foi sentenciado por falsidade ideológica.

Pelo homicídio, Boldrini foi condenado a 30 anos e oito meses de prisão. Já pela falsidade ideológica, ele vai sentenciado a 1 ano de prisão. Por outro lado, o médico foi absolvido por ocultação de cadáver.

O novo julgamento durou quatro dias e ocorreu em Três Passos (RS). Em 2019, no primeiro Tribunal do Júri, o médico foi condenado a 33 anos e 8 meses de prisão – outras três pessoas também foram sentenciadas, entre elas a madrasta Graciele Ugulini. Porém, em 2021, o julgamento de Boldrini foi anulado.

Na época, a 1ª Câmara Criminal do TJRS considerou que houve quebra da paridade de armas – ou seja, tratamento igualitário entre as partes – durante o interrogatório do médico. No entendimento do colegiado, os promotores de justiça não se limitaram a formular perguntas ao réu, mas sim fizeram argumentações sem que os advogados de defesa pudessem contrapor.

Desde segunda-feira (20), 10 pessoas foram ouvidas no Tribunal do Júri.

Boldrini deveria ser ouvido nesta quinta-feira, porém, ele acabou sendo dispensado pela juíza Sucilene Engler Audino por “questões de saúde”, segundo o TJ-RS. Ele já não acompanhou os depoimentos das testemunhas na terça-feira (21) e quarta-feira (22).

Relembre o caso

Bernardo Boldrini desapareceu no dia 4 de abril de 2014. Após 10 dias, o corpo dele foi encontrado em uma cova às margens do rio Mico, em Frederico Westphalen, cidade vizinha de Três Passos.

No mesmo dia, o pai do menino foi preso por suspeita de ser o mentor intelectual do crime; já a madrasta por ser a executadora do assassinato, com a ajuda da amiga dela, Edelvania Wirganovicz. Dias depois, Evandro Wirganovicz foi preso, suspeito de ser a pessoa que preparou a cova onde o menino foi enterrado.

Conforme o Ministério Público, o médico e madrasta não queriam dividir com Bernardo a herança deixada pela mãe dele, Odilaine, que morreu em 2010, e o consideravam um estorvo para a família.

No dia 4 de abril, o médico foi levado até Frederico Westphalen sob o pretexto de ir até uma benzedeira. O menino acabou morto por uma superdosagem de Midazolan, medicação de uso controlado. (BOL)

Leandro Boldrini, pai do menino Bernardo, foi novamente julgado pelo Tribunal do Júri - Márcio Daudt/TJRS/Divulgação

Leandro Boldrini, pai do menino Bernardo, foi novamente julgado pelo Tribunal do JúriImagem: Márcio Daudt/TJRS/Divulgação