Gol terá primeira audiência na Justiça dos EUA nesta segunda-feira

Política

Está marcada para 9h (horário local de Nova York) desta segunda-feira (29) a primeira audiência do processo de recuperação judicial da Gol Linhas Aéreas, aceito na última sexta-feira pela Justiça americana. O juiz Martin Glenn irá discutir pontos do processo como o pedido de liberação de um financiamento de US$ 950 milhões à empresa.

Ao pedir para ingressar no chamado Chapter 11, processo similar ao da recuperação judicial brasileira, a Gol afirmou ter a garantia de um financiamento vindo de detentores de títulos do Abra Group, controlador da empresa aérea e da colombiana Avianca.

Em documentos entregues à Justiça dos EUA na última semana, a Gol afirmou que, dos US$ 950 milhões, uma fatia de US$ 350 milhões poderia ser aportada na sequência ao aval do juiz americano. Esses recursos seriam destinados ao pagamento de funcionários e fornecedores, entre outras despesas.

Dívida mais alta

A Gol encerrou o terceiro trimestre do ano passado com um endividamento de R$ 20 bilhões, segundo o último dado divulgado ao mercado. Dados mais atualizados fornecidos à Justiça americana, contudo, informam que a companhia fechou 2023 com US$ 3,5 bilhões em ativos e US$ 8,3 bilhões em passivos. Deste último total, US$ 4,2 bilhões são dívidas financiadas que estão em aberto.

No total, descontando os ativos, a dívida líquida alcançaria US$ 4,8 bilhões, o equivalente a perto de R$ 24 bilhões, portanto acima ao apurado no fim de setembro do ano passado.

Mais credores

A companhia revisou ainda a lista de seus 30 maiores credores entregue juntamente com o pedido de ingresso no Chapter 11. O principal deles é o relacionado ao Grupo Air France-KLM, parceiro da Gol, com um crédito total de US$ 25,2 milhões.

A KLM já constava da primeira listagem, com US$ 2,36 milhões a receber. Este valor, na nova lista, foi ajustado para US$ 10,61 milhões. Em paralelo, a Air France foi adicionada a esse grupo, com um crédito de US$ 14,6 milhões.

Outras companhias foram integradas a essa lista dos principais credores. São elas a GE Capital Services (Gecas), com US$ 9,3 milhões; e as arrendadoras de aviões Sasof, com US$ 8,29 milhões; Genesis Aircraft Services (US$ 4,79 milhões) e Sapphire Leasing (US$ 4,51 milhões).

Aeroporto contesta número

A falta de um acordo com os lessors (as empresas que alugam aviões para companhias aéreas) foi o principal motivo para a Gol iniciar o processo nos EUA, considerando que a maior parte deles tem sede no país.

No topo da lista de credores figura o BNY Mellon, com um crédito de US$ 539,9 milhões a receber. O banco é agente fiduciário de títulos emitidos pela companhia e que garantem contratos de arrendamento de aeronaves.