Advogado é acusado de ameaçar juiz do caso Deolane

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Um advogado suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria supostamente ameaçado de morte um juiz durante uma audiência sobre integrantes da facção criminosa. O magistrado decretou a prisão da influenciadora Deolane Bezerra há três meses.

O vídeo foi gravado durante uma audiência de um processo contra membros do PCC. O advogado defendia a libertação dos clientes.

Durante a sessão, o defensor afirmou que seria mais fácil revogar as prisões preventivas para que o processo pudesse avançar. O juiz respondeu que a decisão deveria seguir a lei.

Na sequência, o advogado disse:

“Diante do que se apurou hoje, com a devida vênia, pela graça de Deus, sob a proteção de Deus, se o senhor não revogar essas prisões, eu temo o senhor não adentrar ao ‘elísio’.”

O juiz perguntou se a declaração era uma ameaça. O advogado negou e explicou que “elísio” significaria paraíso. Segundo ele, todas as pessoas morrerão um dia, e a questão seria decidir entre ir para o paraíso ou para o inferno.

A explicação não convenceu o magistrado. Ele afirmou que, em quase 20 anos de carreira e depois de julgar vários processos relacionados ao PCC, nunca tinha ouvido uma declaração semelhante.

O juiz disse ter entendido a fala como uma ameaça de morte caso não revogasse as prisões preventivas.

Fala gerou inquérito sob sigilo judicial

A declaração resultou em um inquérito policial contra o advogado, que tramita sob sigilo judicial. O Ministério Público e o próprio Judiciário demonstraram preocupação com a fala por causa das suspeitas de ligação do defensor com o PCC.

O advogado participou da criação da ONG Pacto Social e Carcerário. Segundo a polícia e os promotores, a organização seria de fachada e teria funcionado com dinheiro do crime organizado para atender a interesses do PCC.

O advogado também defende a inocência de Deolane Bezerra, que está presa sob acusação de lavar dinheiro para a facção criminosa.

Além disso, ele usa as redes sociais para criticar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo. Em uma publicação, chamou o promotor de “super-herói de Presidente Venceslau”.

O jornalismo do SBT entrou em contato com o advogado, mas ele não atendeu às diversas ligações. (SBT News)

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