Advogado que denunciou desembargador na tribuna é ouvido em audiência no TJSC

Política

Estado – O advogado Felisberto Odilón Córdova foi ouvido nesta sexta-feira (15) em audiência no Tribunal de Justiça de Santa Catarina pela denúncia contra o desembargador Eduardo Gallo, por pedir propina de R$ 700 mil. O desembargador nega as acusações.

Conforme o TJSC, foram ouvidos também os juízes Pedro Aujor Furtado e Ricardo Andrade, bem como o advogado Rafael Peliciolli Nunes, sócio de Córdova. Ainda segundo o TJSC, esse foi um procedimento preliminar para apurar as acusações.

Ainda serão ouvidas outras testemunhas, segundo o TJSC, para depois subsidiar o Tribunal Pleno do TJ na decisão final sobre o caso. As datas das novas audiências ainda serão definidas. O desembargador Leopoldo Augusto Brüggemann é responsável pela investigação.

A Procuradoria Geral da República (PGR) também pediu para que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigue o desembargador Eduardo Gallo por violência contra duas mulheres, uma ex-mulher e uma motorista.

Relembre o caso

Após o voto contrário do desembargador Eduardo Gallo durante a sessão sobre uma ação de mais de 50 anos, na qual Córdova representa a si mesmo, o advogado afirmou, em sua sustentação oral, que o julgamento era “comprado”. Toda a confusão ocorrida em 3 de agosto foi gravada por um celular.

“Eu estou fazendo uma denúncia. Esse cidadão foi abordado com uma proposta que veio do Rio de Janeiro, para receber R$ 500 mil, R$ 250 mil antes, R$ 250 mil depois, e o descarado [Gallo] chegou a mandar para o nosso escritório, que poderíamos cobrir isso por R$ 700 mil”, disse, exaltado.

O desembargador pediu ao juiz providências e a sessão foi interrompida. “Eu não vou admitir que um advogado me chame de vagabundo e Vossa Excelência não tome providências. Eu nunca passei por isso na minha vida, eu tenho 25 anos de magistratura. Eu requeiro a prisão do advogado”, disse o desembargador ao presidente da Câmara após a saída de Córdova.

“Meu cliente não recebeu nenhuma propina, não solicitou nenhuma propina, não recebeu nenhuma oferta de propina”, disse o advogado Nilton Macedo Machado. Já Córdova reafirmou suas acusações. “Não foi um ato impulsivo, foi uma constatação. A minha constatação de que tudo isso deveria ser verdadeiro estaria em função da maneira que ele julgasse a causa. Não que tivesse que julgar ao meu favor, mas que trouxesse um voto idoneamente técnico”, disse o advogado.

A decisão de primeiro grau é no valor de R$ 35 milhões. O escritório de Córdova requer honorários advocatícios. O voto do relator Gallo foi contrário a decisão de primeiro grau, ou seja, contra o escritório de advocacia. (G1)