Após dois dias de julgamento, trio é condenado pela morte de jovem em Pinheiro Preto

Segurança

A Justiça condenou os três acusados pelo assassinato e ocultação do corpo de Vanessa Motta Martins, de 23 anos, em um dos julgamentos mais longos e aguardados do Meio-Oeste catarinense. O crime aconteceu em 2023, no município de Pinheiro Preto. Cristian Ramos e Bruno Donatti de Quadros foram sentenciados a 19 anos de reclusão, enquanto Jéssica Scarabotto recebeu pena de 12 anos e 8 meses. Todos cumprirão pena em regime inicial fechado.

A acusação foi conduzida por dois promotores do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que consideraram a sentença uma vitória contra a impunidade. A tese apresentada ao júri foi baseada nas provas reunidas pela Polícia Civil.

Thayse Göedert Pauli, promotora titular da Comarca de Tangará, que abrange Pinheiro Preto, destacou: “Os jurados deram a resposta que a sociedade esperava, mostrando que crimes contra a vida não podem ser tolerados nem minimizados”. Já o promotor José da Silva Júnior, do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GEJURI), afirmou: “O MPSC foi a voz de uma família enlutada, que esperou mais de dois anos por justiça e, agora, não precisará mais conviver com a impunidade”.

O crime

As investigações apontaram que um dos réus mantinha um relacionamento secreto com Vanessa e temia que ela revelasse o caso. Para impedir isso, na noite de 22 de maio de 2023, ela foi atraída com um convite para fumar narguilé. Ao entrar no carro, foi surpreendida e enforcada com um barbante pelo rapaz com quem se relacionava, que estava escondido no banco de trás.

Após o assassinato, os dois jovens circularam com o corpo pela região durante a madrugada. No dia seguinte, levaram a vítima até um terreno baldio na Linha Colônia Mueller, interior de Tangará, onde a amarraram, queimaram e enterraram com a ajuda de um trator. O corpo foi localizado sete dias depois, e ambos foram presos logo em seguida.

A análise dos celulares revelou que a companheira de um dos réus tinha conhecimento do plano. Ela foi denunciada como coautora e respondeu ao processo em liberdade, mas também foi condenada.

O julgamento

O julgamento ocorreu no Fórum de Tangará, sede da comarca, e durou dois dias. Os réus foram acusados de homicídio com quatro qualificadoras — feminicídio, asfixia, motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima (dissimulação) —, além de ocultação de cadáver.

A sessão começou na manhã de terça-feira (8) com o sorteio dos jurados e terminou no fim da tarde de quarta-feira (9), com a leitura da sentença. O salão do júri ficou lotado. Familiares e amigos de Vanessa usavam camisetas com sua foto e mensagens de clamor por justiça. O pai da jovem se emocionou ao testemunhar e relatar a dor da perda da filha.

Algumas pessoas acompanharam do lado de fora por falta de espaço, mesmo com as baixas temperaturas típicas do inverno. Cerca de 20 policiais militares, penais e civis reforçaram a segurança do local.

As penas

A leitura da sentença ocorreu por volta das 17h. Os jurados reconheceram a responsabilidade dos dois homens e impuseram a cada um 19 anos de reclusão. Já Jéssica, apontada como tendo participação de menor relevância, foi condenada a 12 anos e 8 meses.

Nenhum dos três poderá recorrer em liberdade. Eles foram levados ao presídio logo após o encerramento do julgamento.