Joaçaba – O dia 21 de janeiro de 2014 jamais sai da cabeça de Juciane de Almeida. Então com 28 anos, ela havia saído do trabalho na agência Sicredi de Joaçaba por volta das 12h45min com a motocicleta Honda Biz placa MJL-4534 de Joaçaba, transitava na rua Getúlio Vargas sentido Unoesc. Logo em frente uma carreta com placas de Itu/SP fazia o sentido contrário. Ao se encontrarem no cruzamento a motociclista segurou para a carreta descer em direção à avenida Barão do Rio Branco.
Juciane pegou a pista da direita e a carreta a esquerda. Alguns metros depois, no cruzamento da rua Felipe Schmidt com a avenida Rio Branco ocorreu o pior. A carreta abriu e repentinamente dobrou a direita em direção ao moinho Spech. Juciane foi atingida pelo rodado traseiro do veículo de carga, caiu de peito no asfalto e teve a perna direita esmagada. A carreta ainda passou por cima de sua moto, destruindo-a. Antes de parar embaixo da carreta, no impulso, Juciane saltou da moto, o que evitou que o rodado atingisse a cabeça dela. As lembranças do dia fatídico permanecem até hoje na memória e no corpo dela.
No dia 2 de maio de 2014, ela gentilmente recebeu o jornalista Michel Teixeira quando atuava na Rádio Catarinense para falar como estava sua recuperação.
Formada em Administração, fazia dois meses que Juciane trabalhava no Sicredi. Juciane teve fratura exposta na perna direita, além de escoriações na perna esquerda, barriga e mão esquerda. Durante o tempo que ficou internada recebeu acompanhamento médico, fisioterapêutico e psicológico. Juciane precisou trocar quatro vezes de quarto devido ao risco de infecção. Ela também precisou fazer enxerto de pele. Para isso foi retirado tecido da perna esquerda e implantado na direita.
A Biz, que não tinha seguro, teve perda total. No tempo que ficou no hospital Juciane recorda que recebeu muito apoio familiar e de amigos. Ela perdeu sete quilos e recebeu seis bolsas de sangue. A anemia foi inevitável. O alimento principal durante a internação foi um iogurte especial. Foram várias flores recebidas e mensagens de otimismo e solidariedade.
“De lá pra cá quase 4 anos se passaram e ainda estou me tratando em Porto Alegre/RS. Ainda vou precisar de mais duas ou três cirurgias. Na época eu resolvi mudar de emprego e procurar algum que tivesse assistência médica. Sentia que precisaria ter essa garantia na vida”, comenta.
Juciane luta contra as dores no dia a dia, os olhares curiosos e a mobilidade reduzida com muita fisioterapia, hidroginástica e pilates, após três anos de lesão. Mesmo diante de tanta dificuldade, ela decidiu fazer algo que certamente muitas pessoas na mesma situação não fariam: um ensaio fotográfico. O trabalho foi realizado em Joaçaba pelo fotógrafo Felipe Dalla Costa.
Para vários médicos era um caso novo, diziam não ter visto nada igual. “Sempre tive muitas dúvidas e via no rosto deles o pavor em ver algo tão grande e destruído, por várias vezes me disseram que não tinha mais o que fazer, cada um com sua opinião. Quando tive a alta do hospital aprendi eu mesma a me fazer os curativos sabia que precisava me ajudar, para melhorar. Então iniciamos a maratona de recuperação em casa com fisioterapia, reaprendi a andar, nesse dia vi que ninguém poderia fazer por mim o que só eu poderia, então fui à luta. A cada pequena evolução uma vitória, andar, fortalecer, dirigir, caminhar sem as muletas, só bênçãos e vitórias em todos os desafios”.
Juciane conta que em um retorno médico ele resolveu que não teria mais o que fazer para tirar minha dor. “Explicou sobre a deficiência que eu adquiri e que era melhor procurar meus direitos de PCD ou pessoa com a mobilidade reduzida. Nessa hora perdi um pouco o chão, precisei me aceitar, encarar as dificuldades, saber que aquele futsal que eu jogava já não mais faria parte da minha rotina, precisei chorar por três horas seguidas, mas amadureci e fui em busca dos meus direitos”.
“A Unimed que busquei lá no começo dessa história foi imprescindível para minha recuperação, junto com recursos na justiça que conseguimos e estou ainda buscando melhorar sempre. Hoje eu me trato com médicos excepcionais, que apesar de tudo são mais humanos e me olham com carinho antes de me dar qualquer diagnóstico, não foi fácil chegar até aqui, superar todas as dores, desafios diários de aceitação e adaptação, sempre tive muito apoio das pessoas, verdadeiros anjos da guarda que apareceram pra me ajudar, família, amigos, antigo namorado, serei eternamente grata a todos e principalmente a Deus por essa segunda chance”.
Sobre o ensaio fotográfico, Juciane explica que decidiu fazer para mostrar que as cicatrizes são suas marcas de vitória e de vida. “Apesar de ser mulher e vaidosa, me aceito como sou e tenho orgulho disso, estou feliz, estou viva e aos poucos retomando a vida”. Por fim, ela menciona frase que um médico seu, João Ellera Gomes lhe disse: “Aprendi a trocar uma lágrima por um sorriso mesmo sendo um ato de rebeldia contra fatos incompreensíveis da vida”.
O ensaio também foi publicado pelo site especializado “Casa Adaptada”.



















Tá linda como sempre foi Baixinha e te admiro por ser essa mulher guerreira.
Infelizmente, eu lembro muito bem daquele dia, eu estava morando ali neste cruzamento e estava na janela do apto quando vi tudo acontecer! Mas apesar de tudo, fico muito feliz em ver que está muito bem, e o exemplo de superação que se tornou! Parabéns por cada conquista!!