Brasília – Após justificar como “pagamento de dívida” o cheque de 24.000 reais destinado pelo ex-motorista Fabrício José Carlos de Queiroz à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o presidente eleito Jair Bolsonaro declarou neste sábado, 8, que não declarou a transação no Imposto de Renda porque o montante a ser pago por Queiroz “foi se avolumando”. O cheque foi listado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entre o 1,2 milhão de reais em transações suspeitas de Fabrício Queiroz, que era motorista de Flávio Bolsonaro.
“O empréstimo foi se avolumando e eu não posso, de um ano para o outro, (colocar) mais 10.000 reais, mais 15.000 reais. Se eu errei, eu arco com a minha responsabilidade perante o fisco. Não tem problema nenhum”, declarou.
Bolsonaro explicou que conhece Queiroz desde 1984. Nesse período, disse, a relação entre dois se intensificou. O presidente eleito relatou não ter se encontrado com o ex-assessor de Flávio após a divulgação das investigações do Coaf sobre a movimentação atípica de dinheiro em sua conta entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
“Eu não conversei com ele. Se ele quiser conversar comigo, mas acho que não seria prudente”, declarou o presidente eleito, após participar de um evento na Escola Naval, no Rio de Janeiro.
Para Jair Bolsonaro, a movimentação entre as contas de Fabrício Queiroz e outros membros de seu gabinete é normal. Da mesma forma, disse considerar normal que a filha de Queiroz trabalhasse em seu gabinete. Conforme VEJA mostrou, Nathalia Melo Queiroz repassou mais de 84.000 reais ao pai no período analisado pelo Coaf e foi uma das sete ex-servidoras do gabinete de Flávio Bolsonaro a fazer transferências bancárias a Fabrício Queiroz, em um valor total de 116.556 reais.
Segundo Bolsonaro, a movimentação identificada pelo Coaf ocorreu no último ano, mas os empréstimos começaram “lá atrás”. “Já o socorri financeiramente em outras oportunidades. Nessa última, houve um acúmulo de dívidas da parte dele para comigo e ele resolveu me pagar em cheques”, disse, frisando que recebeu dez cheques de 4.000 reais.
O pesselista destacou que os recursos pertencem a ele, e não a Michelle, e disse esperar que Queiroz se explique. “Na conta do Queiroz não tenho nada a falar. Foi na (conta) da minha esposa, pode considerar na minha conta”, declarou. “Não quer dizer que eles sejam criminosos”, completou. (Veja)




