No início da tarde de terça-feira (05), membros da Bancada do Oeste, da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), estiveram reunidos para debater sobre voos regionais em Santa Catarina, principalmente, entre Chapecó e Florianópolis. Também trataram sobre a elaboração de um Projeto de Lei (PL) para alterar a atual lei estadual, visando possibilitar a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o preço cobrado pelo querosene utilizado pela aviação. Para o debate, foram convidados o secretário de Estado da Fazenda (SEF), Cleverson Siewert, e o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), Beto Martins.
O deputado estadual Jair Miotto (União Brasil), que é um dos membros da Bancada do
Oeste, destacou que houve um grande avanço no debate. “Na primeira reunião, foi feito
um diagnóstico dos principais pleitos. Neste segundo momento, foram apresentadas as
propostas para a solução das reivindicações envolvendo a ampliação do número de voos
em Santa Catarina”, destaca o deputado Miotto.
De acordo com o parlamentar, os secretários informaram que o Governo do Estado,
concorda com a redução da alíquota de ICMS cobrado sobre o querosene da aviação em
Santa Catarina. “Se a Alesc acenar que há um caminho, o Estado afirmou que é possível
reduzir de 7 para 4% a alíquota de ICMS cobrado sobre o querosene da aviação”,
comemora o deputado Miotto.
ALTERAÇÃO DA LEI
Segundo o secretário Martins, com o aval do Governo do Estado, “agora, é preciso
montar a fórmula de como essa redução será viabilizada. Se iremos conseguir superar a
barreira de 7 para 4% será um desafio, trabalhado juntamente com a Alesc, pois existe
uma legislação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que nos limita”,
esclarece Martins.
Conforme ele, com o debate junto aos deputados, uma mudança será proposta para a
atual lei de incentivo de redução do ICMS do querosene para a aviação em Santa
Catarina. “Um novo modelo de legislação será apresentado às companhias, dando
incentivos para que voem mais em Santa Catarina. Este fato vai ser determinante para
que as companhias aéreas ampliem sua malha aeroviária no Estado”, afirma o
secretário.
Aos membros da Bancada do Oeste, a SPAF apresentou uma proposta por esquema de
pontuação, ou seja, quanto maior for a pontuação, maior será a redução da alíquota de
ICMS cobrada às companhias. Segundo Martins, a lei catarinense é simplista e objetiva,
fala somente da quantidade de aeroportos.
“Agora, Governo e Alesc irão estudar a possibilidade de construir um projeto baseado em um esquema de pontuação, ou seja, um ponto para cada aeroporto no Estado com operação regular, 0,5 pontos por voo direto dentro do Estado e um ponto por voo internacional direto com origem em Santa Catarina”, exemplifica o secretário, lembrando que uma definição dos critérios deverá ocorrer nos próximos dias.
Segundo o secretário da Fazenda, há disposição do Governo do Estado no contexto
financeiro, pois os incentivos irão atrair outros negócios, gerar emprego e renda. “Existe
uma disposição do Governo em construir uma lei com melhor incentivo. A SEF, depois
de estudos técnicos e financeiros, está de acordo. Agora, é uma questão jurídica para se
construir a melhor redação e a Alesc irá colaborar neste contexto legal, construindo um
caminho futuro para a evolução do processo”, acredita Siewert.
CENÁRIO CATARINENSE
Atualmente, Santa Catarina tem um teto estabelecido pela legislação do Confaz, onde a
alíquota mínima é de 7% para o ICMS do querosene. “Gostaríamos de concorrer com Rio Grande do Sul e Paraná que avançaram muito na aviação regional e em suas malhas aeroviárias. O Governo concorda com redução de ICMS para estimular voos regionais”, ressalta Siewert.
Atualmente, o Rio Grande do Sul tem uma alíquota máxima de 17% e mínima de 2%. O
Paraná tem uma alíquota máxima de 19% e mínima de 2%, podendo chegar a 0%. Já
Santa Catarina, tem uma alíquota máxima de 17% e mínima de 7%. “Hoje, a lei catarinense diz que quem voa quatro aeroportos, pode baixar a alíquota para 12%, se
voa em seis aeroportos, chega a 7%. É preciso uma lei com maior senso de justiça”,
acredita Siewert, ressaltando que o querosene é responsável por 45% do custo das
companhias aéreas e, ao reduzir o imposto, a ampliação de os voos em Santa Catarina
tem mais condições de ocorrer.
VOOS REGIONAIS
O secretário Martins afirmou que as companhias aéreas têm interesse em ampliar os
voos regionais em Santa Catarina, mas precisam conhecer a demanda. Para isso, o
Estado vai atualizar, até o primeiro semestre de 2024, o Plano Estadual Aeroviário,
organizado pelo Laboratório de Transporte e Logística (LabTrans), empresa responsável
pelo Plano Aeroviário Nacional.
“O plano catarinense não reflete mais a realidade do Estado. Formulado em 1989, precisa ser atualizado. O estudo irá apontar a realidade da aviação regional em Santa Catarina. Com esse plano, nós vamos ter uma comprovação, com base científica, da demanda que existe nos nossos aeroportos para poder cobrar das companhias aéreas a ampliação desses voos. Não é possível fazer definições, como aumento de linhas ou definição de horários, sem ter dados concretos”, conclui Martins.




Voos Regionais em Santa Catarina. A Infraestrutura regional é arcaica e ultrapassada.
Santa Catarina precisa urgentemente parar de rejeitar o conceito brasileiro de PISTA MÍNIMA REGIONAL de 1.600 x 30m e resistência do piso PCN31 já adotado por muitos estados e municípios. Em 90% dos casos, o gargalo aeroportuário sempre é a pista de pouso nas cidades de pequenas a médio porte.
O estado continua reformando e construindo puxadinhos para os passageiros, asfalto mole em pistas curtas e estreitas de 1.200 metros que só servem para a aviação SUB-REGIONAL com a aeronave Caravan de 09 lugares e suas passagens caras, como em Lontras 1.077 x 23m, Blumenau 1.080 x 30m, Rio Negrinho 1.200 x 22m, São Miguel do Oeste 1.260 x 18m, Joaçaba 1.260 x 30m, São Joaquim 1.300 x 30m, Forquilhinha, Dionísio Cerqueira e tantos outros. Quais dessas cidades possuem linha aérea regular apesar de ótimo potencial? Nenhuma! O gargalo é a pista curta, estreita e de asfalto mole, muita mais restritiva que o imposto estadual.
Essas características de engenharia e construção de aeroportos e pista de pouso não atraem o interesse de empresas e da moderna aviação regional com o turboélice de 70 lugares (57 aeronaves e 03 encomendas confirmadas) e a nova geração de turboélices de alto desempenho de 80, 90 e 100 passageiros em desenvolvimento pela Airbus, ATR, De Havilland Canada e Embraer. Também não atraem os jatos regionais que hoje são 103 unidades nas três aéreas nacionais.
Saudações e bons voos,