A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, anunciou nesta sexta-feira uma reestruturação operacional e financeira, e espera arrecadar até R$ 5 bilhões, no segundo semestre, principalmente com a venda de ativos e desinvestimento. O plano da companhia inclui a venda de unidades operacionais na Europa, Tailândia e Argentina, mas não exclui a exportação para estes mercados. Também serão vendidos ativos imobiliários e não operacionais, como áreas de reflorestamento, além de participações minoritárias em empresas.
A empresa vai focar seus esforços nas operações no Brasil, Ásia e mercado muçulmano, incluindo Oriente Médio e Turquia. Os recursos obtidos, segundo o diretor de relações com investidores, Eduardo Takeiti, serão usados para reduzir dívida. A meta é diminuir a alavancagem (relação entre a dívida líquida e a geração de caixa) para 4,35 vezes no fim do ano, e abaixo de 3 vezes em dezembro de 2019. As projeções já consideram o impacto da recente alta do dólar.
O plano de reestruturação não prevê a emissão de novas ações. Além disso, espera-se um reforço no caixa com melhoria da gestão de estoques de matéria-prima (congelados) e de produto acabado.
Em teleconferência, o presidente-executivo da BRF, Pedro Parente, disse que o plano de reestruturação inclui a redução do número de vice-presidentes, de 14 para 10, e que ainda não tem todas as posições preenchidas. Em andamento desde março deste ano, a reestruturação deve durar mais 60 dias, e ainda contempla a readequação nas linhas de produção, férias coletivas e a redução de cerca de 5% do quadro de funcionários nas operações no Brasil.
— São transações que a gente está estruturado para fazer, mas iremos informar caso algumas delas se estendam por mais um semestre ou não. O que deixaremos claro é que não mudará de forma alguma o compromisso com a geração do resultado de alavancagem — disse, também em teleconferência, Lorival Nogueira Luz Jr., diretor financeiro.
Takeiti minimizou infoirmações de que a BRF planeja um aumento de capital para reduzir dívida. Mas disse que a BR pode vender ativos adicionais se a companhia não conseguir reverter o embargo da União Europeia sobre exportações de aves do Brasil e melhorar margens em meio a um ambiente de alta em custos com ração.
— Uma decisão sobre a venda de ativos principais da empresa não foi tomada — disse Takeiti, observando que a prioridade da companhia é reduzir dívida “organicamente” com aumento da geração de caixa das operações. (O Globo)







