Candidatos recebem Carta da Indústria em evento da Fiesc

Política

A Federação das Industrias de Santa Catarina (Fiesc) realizou debate com três candidatos ao Governo do Estado ontem (20), em Florianópolis. Décio Lima (PT), Gelson Merisio (PSD) e Mauro Mariani (MDB) participaram do evento e apresentaram seus pontos de vista sobre o desenvolvimento do Estado para os próximos quatro anos.

Para a entidade, o desenvolvimento socioeconômico catarinense é o principal desafio do Estado e passa, necessariamente, pela ampliação da sinergia entre as diversas atividades produtivas e o setor público. Amplo levantamento entre os industriais e trabalhadores do setor foi realizado pela Fiesc para chegar até a carta entregue aos candidatos.

Além dos grandes temas macroeconômicos defendidos continuamente na pauta nacional
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), os itens que norteiam o planejamento da
indústria catarinense são educação, capital humano inovação e empreendedorismo,
infraestrutura, saúde e segurança, internacionalização das empresas, investimentos e
políticas públicas e desenvolvimento do mercado.

O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, disse que o Brasil tem uma carga tributária
que inibe os investimentos e tira a competitividade da indústria. “Na nossa visão, é
extremamente importante que, além de não aumentar tributos, o estado faça readequações que possam, ao longo do tempo, reduzi-los. Se não for possível a diminuição, com a realização da simplificação do sistema tributário, já haverá um grande avanço em termos de competitividade”, afirmou.

Aguiar abriu a rodada de perguntas aos candidatos e questionou que iniciativas eles
pretendem adotar em relação à política de incentivo fiscal, que, maioria dos casos, foi
concedida para viabilizar a competição das empresas instaladas em Santa Catarina.

O que disseram os candidatos:
Na opinião do candidato Gelson Merisio, diminuir incentivos fiscais é aumento de carga
tributária. “Sou absolutamente contrário à redução do volume de renúncia fiscal. Sou
favorável aos critérios de aplicação e à resposta que essas renúncias vão dar em termos de
competitividade. Se a nossa política fiscal fosse equivocada como é apregoado, não
teríamos, nos últimos dez anos, crescimento da receita duas vezes superior à inflação. A
política dá ao empreendedor, especialmente de fora do estado, segurança jurídica.
Portanto, não há que se mexer em contratos e normas no curso de sua execução. Há que
se respeitar os protocolos. Para resumir: sendo governador, nenhuma hipótese de aumento
de carga tributária”, afirmou.

Para o candidato Décio Lima, a renúncia fiscal tem que estar acompanhada dos interesses
dos setores produtivos. “Tenho certeza que todos nós temos que estabelecer critério. Não é
possível falar em renúncia fiscal e indução do desenvolvimento econômico e não dialogar
com os empresários catarinenses. Não sou contra a renúncia fiscal, agora, ela tem que
induzir o desenvolvimento econômico. Quero um modelo de descentralização, mas trazendo
aqui para os senhores a responsabilidade da caneta para decidirmos juntos a renúncia fiscal. Não pode ser aleatório ao interesse dos setores produtivos. Sou favorável, mas que ela seja debatida e construída com os empresários”, disse.

O candidato Mauro Mariani destacou que a questão dos incentivos fiscais tem que ser
bem compreendida. “Ela pode se dar num determinado momento até para proteger alguns
segmentos da indústria. A renúncia fiscal para a indústria e empresas que venham aqui se
instalar é um instrumento de desenvolvimento, de trazer setores que não existem no
estado, de levar o desenvolvimento a regiões mais deprimidas que precisam de algum
incentivo. É nesse aspecto que defendo uma política de renúncia fiscal justa, com critério e
transparente. A indústria tem que ter esse benefício e não pode ser penalizada e perder a
competição para outro estado. Ela pode ser um instrumento de desenvolvimento do
estado”, disse.

Carta da Indústria foi elaborada com participação de industriais e trabalhadores

Em relação à Carta da Indústria, o presidente da Fiesc explicou que o documento é
resultado de pesquisa realizada com indústrias, trabalhadores, sindicatos industriais ligados
à Fiesc, câmaras setoriais e temáticas da instituição e especialistas, parceiros e
conselheiros.

“A indústria tem papel preponderante em toda a cadeia produtiva de Santa Catarina, desde
o consumo dos bens agrícolas até o fornecimento de bens e ferramentas para os serviços.
Portanto, entendemos que a Carta da Indústria é feita de catarinenses para o
desenvolvimento de Santa Catarina”, afirmou.

Aguiar destacou ainda o empenho da instituição em ouvir com atenção as demandas da
indústria e da sociedade, em unir forças e parcerias com os setores produtivo e público e
em agir pela concretização de medidas que promovam o desenvolvimento do estado e o
bem-estar das famílias catarinenses.

“A partir da implementação das prioridades apontadas, é possível vislumbrar um quadriênio
de crescimento sustentável e mais equilibrado, caminho que fortalecerá a posição de Santa
Catarina no contexto nacional e criará as condições necessárias para que todas as regiões e
o estado se desenvolvam harmonicamente, beneficiando todos os catarinenses”, completou.

Economia de Santa Catarina
A economia de Santa Catarina representa 4,2% do PIB nacional, ocupando o 6º lugar entre
as unidades federativas. Embora tenha uma estrutura semelhante a dos demais estados brasileiros quanto à preponderância dos serviços, que representam 65% do PIB catarinense, seu diferencial está na maior participação da indústria (28,7%), atrás apenas do Amazonas.

Em termos municipais, 47% das cidades catarinenses possuem maior representação do
setor industrial na geração de riquezas que a média do país. Assim, essa atividade
produtiva tem compreendido um terreno fértil que contribui fortemente com a economia do
estado, constituindo-se por quase 51 mil estabelecimentos industriais que empregam 735
mil trabalhadores, representando 34% da força de trabalho catarinense. (Diário do Iguaçu)