“O Vinicius nunca disse não, mas também nunca disse sim. Ele pensava em ser pai e aos poucos foi entendendo meus motivos e gostando da ideia. A virada de chave foi em 2018 quando ele viajou para o Congo a trabalho. Quando voltou de lá, disse que fazia parte do nosso destino adotar”, recorda a mãe.
O pequeno Aamadu já fez novos “aumigos”. – Foto: Arquivo Pessoal
O casal afirma que o fato de ser brasileiro não impactou em nada na hora da adoção, mas adotar em um país distante, diferente e desconhecido com certeza foi um desafio. Vinicius e Andressa ficaram cerca de 40 dias entre Serra Leoa e Quênia, em diferentes hotéis e com o bebê recém-adotado.
“Não foi fácil, mas hoje só temos motivos para agradecer. Aamadu tem todo o suporte de nutricionistas, pediatras, pedagogos, dermatologistas, entre outros. Ele já traz muitas alegrias para esses pais babões”, comenta.
A nova rotina
Antes de iniciar a vida nova em Dubai, os pais dedicaram um tempo para conhecer a cidade natal do filho. “Foi sensacional. Tivemos tempo para conhecer a cidade onde nosso filho nasceu e passear com ele. Tiramos várias fotos e reunimos memórias para ele e para nós no futuro”, recorda Andressa.
O dia a dia da família passou por adequações depois que o menino chegou. Educação, alimentação, saúde, lazer, sono. Tudo isso passou a integrar a lista de prioridades dos pais. “As mudanças são muitas e ainda estamos nos ajustando. Tudo tem que ser planejado de acordo com a rotina e o bem-estar dele.”
“Ele trouxe mais cor às nossas vidas. Nos ensinou, nos ensina e nos ajuda diariamente a melhorar como pessoas mesmo sem saber disso. Com ele percebemos o quão falhos somos e o quanto ainda temos a melhorar como pais e seres humanos, como a ser mais pacientes, organizados, dedicados entre tantas outras coisas que ainda estamos descobrindo”, afirma o pai.
Adaptação e inserção na cultura brasileira
A chegada de um bebê é repleta de desafios e adaptações tanto para os pais como para a criança. Com Aamadu não foi diferente, mas o menino tem se dado muito bem com a nova rotina. O pai conta que já é possível perceber que os laços fraternos de família foram feitos e estão sendo solidificados dia após dia.
Com relação ao contato de Aamadu com a língua portuguesa, o pai relata que o menino aprenderá português em casa para falar com os pais e o inglês para se comunicar com a babá e, futuramente, na escola e entre os amiguinhos do prédio onde mora.
O bebê já está conhecendo as origens chapecoenses do pai Vinícius. – Foto: Arquivo Pessoal
Porém, o árabe, língua local de Dubai, não está entre as prioridades, apesar de ser ensinado na escola. “Se ele aprender o árabe, ótimo. Mas queremos que ele aprenda a nossa língua materna, o português, para poder estreitar os laços com os avós e familiares que não falam inglês.”
E por falar em laços, os avós e tias do pequeno, assim como os demais familiares, não veem a hora de conhecer o mais novo integrante da família. “Recebemos apoio e suporte de todos. Aamadu foi muito bem recebido e já era amado antes de chegar. Agora, é mais ainda, e, será cada vez mais, temos certeza disso”, Gilioli.
Planos da família
Andressa e Vinícius pretendem aumentar a família e dar um irmão ou irmã para Aamadu. Para eles, um irmão (ã) traz muitos benefícios na vida de qualquer pessoa.
“Ter um parceiro (a) para a vida é algo importantíssimo. Porém, não cabe a nós decidirmos. Acreditamos muito nos planos de Deus, então, deixamos para ele as coisas que não estão no nosso controle. Biológico ou não, queremos mais um ou uma”, diz o pai.
Com relação aos planos de continuar em Dubai, a família a afirma que pretende ficar por um longo período fora do país para que o filho estude e faça faculdade. “Sobre o Brasil, pensamos em voltar, mas não sabemos quando.”
O casal lembra que muitas coisas passaram pela cabeça quando decidiram adotar, assim como muitas perguntas surgiram. “Aamadu é o fruto da cumplicidade, parceria e amor mais verdadeiro que existe em nós. Um amor que não cabe em nós e precisa ser dividido”, finaliza o pai. As informações são do ND+.