Três Passos/RS – A delegada Caroline Machado, que trabalhava em Três Passos em 2014, prestou depoimento nesta segunda-feira e deu detalhes do passo a passo da investigação sobre a morte de Bernardo Boldrini. Conforme Caroline, Leandro Boldrini é o mentor da morte de seu filho. Ela foi a única testemunha a prestar depoimento no primeiro dia de julgamento.
Ao longo do depoimento, a policial relatou o desleixo sofrido por Bernardo com abandono por parte da família mesmo que não existissem relatos sobre isso. “Na escola, a história que ouvimos era outra. Fomos na casa e no quarto onde Bernardo morava. Olhei a mochila, não havia nada escrito no caderno. Um pai deveria saber”, diz a delegada. Diligências foram feitas que aumentaram as desconfianças de Caroline. “Achávamos, inicialmente, que era sequestro”.
Inicialmente, ela atendeu a ocorrência acreditando se tratar de um desaparecimento. Caroline indicou as situações que foram aumentando a desconfiança sobre Leandro. Foi um somatório de fatos. Leandro falava no filho sempre no passado. Além disso, não disponibilizou todos os números de celular. Boldrini era um médico conceituado, poderia se tratar de um sequestro. Mas, somos polícia, tínhamos desconfianças”, contou.
A ausência de amor da família pela criança foi um dos fatos que mais chamaram atenção de Caroline. “Bernardo não se encaixava na família. Nem ia nas viagens. Ficava sempre em Santa Maria com os padrinhos (…) O menino era um estorvo na vida deles. Como um médico conceituado vai dar um filho? Então, resolveram matar”, frisou. “Ele amava o pai”, comenta sobre a relação entre Bernardo e Leandro.
Caroline relembrou quando Bernardo foi sozinho até o Fórum de Três Passos, meses antes de sua morte, levando reclamações sobre o que vivia em família. A policial relembra que o menino ouvia do pai que tinha culpa na morte da mãe, Odilaine Uglione, que se suicidou em 2010. “Com sete anos de idade, ele viu que queimaram fotos da mãe dele. Além disso, percebia que a Graciele vestia roupas dela”, frisou Caroline.
O réu responde pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, motivo fútil, emprego de veneno e dissimulação), ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Para o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que está representado em plenário pelos promotores de Justiça Lúcia Helena de Lima Callegari e Miguel Germano Podanosche, o julgamento deve se estender por até três dias. Além do réu, serão ouvidas 10 testemunhas (quatro arroladas somente pelo MPRS, uma arrolada por ambas as partes e outras cinco arroladas apenas pela defesa).
(Correio do Povo)




